- A Copa do Mundo de 2026 começou e a moda já discute a influência do futebol no estilo, mostrando que as duas esferas estão cada vez mais conectadas.
- A tradição de a taça viajar em baú artesanal da Louis Vuitton desde 2010 evidencia como o futebol carrega imagens duradouras, similar às peças de luxo, e abriu caminho para outras grandes atividades esportivas.
- No Brasil, o futebol é parte da cultura cotidiana e inspira estilistas como Paula Kim, diretora criativa da P. Andrade, que afirma que não há como falar de cultura brasileira sem mencionar o esporte.
- O estilista Will Cypriano traz lembranças da rua para o design, ressaltando a influência de memórias de infância e de técnicas manuais/antigas de produção de objetos ligados ao futebol.
- O criador Paulo Carneiro, da Carnan, enfatiza que o futebol conecta cultura, identidade e emoção, citando memórias como o pentacampeonato de 2002 e a relação com o Flamengo.
A Copa do Mundo de 2026 começa no campo, mas o debate sobre o torneio já ocupa as passarelas. Estilistas brasileiros mostram como o futebol ultrapassa o esporte e molda a forma de vestir, reconhecer identidades e contar histórias.
Entre roupas de delegação, uniformes de jogadores e peças de uso diário, o tema vem ganhando espaço no guarda-roupa nacional. A relação entre moda e futebol, longe de ser novidade, reforça a ideia de que as imagens do esporte permanecem no vestuário.
Para Paula Kim, diretora criativa da P. Andrade, o futebol é parte essencial da cultura brasileira. *Cultura brasileira sem futebol* não existe, afirma, ao explicar como o tema atravessa referências familiares, memória afetiva e práticas cotidianas.
Memória e origem
A designer revela que a curiosidade pelo futebol nasceu em casa, acompanhando jogos com familiares. Embora não tenha se dedicado ao esporte, a estética dos uniformes e da cultura futebolística chamou sua atenção desde jovem.
Na prática criativa, Paula integrou o futebol feminino a uma de suas coleções na época da Lapô, buscando ampliar o olhar antropológico sobre a moda brasileira. O futebol é visto como código cultural que influenciou vestimentas e comportamentos.
Entre lembranças marcantes, a Copa de 2002 é citada como marco de referência. O Pentacampeonato ficou associado a ícones visuais como o cabelo de Ronaldo e o Nike Air Max 95 Neon, itens que permanecem na memória de geração.
Linguagem artesanal e rua
Para o estilista Will Cypriano, a influência ocorre antes dos palcos: nas ruas. A infância no Grajaú evidencia a união criada pelo futebol, que vai além do campo, reunindo pessoas e histórias.
Will destaca que, embora não trabalhe com uniformes ou símbolos da seleção, a criatividade artesanal é uma herança forte. Ele relembra bolas de capotão feitas à mão, que revelam trabalhos manuais antigos presentes no cotidiano.
A partir dessas lembranças, o estilista passa a valorizar técnicas manuais e objetos produzidos artesanalmente, conectando passado e prática atual na moda.
Identidade e novos olhares
Paulo Carneiro, fundador da Carnan, também traz a perspectiva de que o futebol é cultura, identidade e emoção. O esporte mobiliza pessoas e cria vínculos, além de acompanhar conquistas no campo e na memória coletiva.
Entre as referências, o pentacampeonato de 2002, a primeira ida ao Maracanã com o pai e a Libertadores de 2019 aparecem como momentos que reforçam o pertencimento e a capacidade de promover encontros.
Conexões entre moda e memória
A história recente da moda brasileira mostra estilistas que incorporam o futebol em suas pesquisas. Marcelo Sommer já dialogou com o imaginário das torcidas e a cultura popular, enquanto Renata Brenha investe em memória, reaproveitamento e construção de identidade, incluindo camisas de futebol em seus trabalhos.
Antes de chegar às passarelas, campanhas ou editoriais, o futebol já ocupava espaço na memória coletiva. Essa base de lembranças é vista como um patrimônio que envelhece bem na moda, respondendo por uma identidade visual brasileira compartilhada.
Entre na conversa da comunidade