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David Hockney amava fumar e sobreviveu a quatro médicos

Hockney amava fumar e desafiou restrições; seu último autorretrato com cigarro sintetiza seu legado aos 88 anos

He wore a badge saying: ‘End bossiness soon’ … Hockney smokes a cigarette as he campaigns at a Labour Party conference.
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  • David Hockney morreu nesta semana aos 88 anos, encerrando uma vida marcada pela paixão por fumar.
  • Sua última autoretroque, exibida na retrospectiva de Paris de 2025, mostra o artista segurando um cigarro em uma composição que parece se repetir.
  • A imagem gerou atrito com autoridades do Metro de Paris, que afirmaram que não poderia ser usada para divulgar a exposição por glamorizar o tabagismo.
  • Hockney defendia o direito à expressão artística e costumava questionar as restrições, chegando a protestar publicamente contra políticas anti-tabagismo.
  • Ao longo da vida, manteve o hábito mesmo diante de recomendações médicas, associando o ato a uma prática social e de identidade, enquanto continuava a produzir obras até o fim.

David Hockney faleceu nesta semana aos 88 anos, após uma vida marcada pela pintura e por uma relação extensa com o tabaco. Seu último autorretrato em vida, exibido na retrospectiva de Paris em 2025, trazia um efeito de repetição que sugere a imagem segurando uma pintura e, numa das mãos, um cigarro. A obra ilustra a obsessão que acompanhou o artista por décadas, mesmo diante de alertas médicos.

A produção gerou controvérsia em Paris, quando autoridades do Metro consideraram inadequado usar uma foto da peça para divulgar a exposição, por contrariar normas que visam não glamorizar o tabagismo. Hockney reagiu, afirmando que a decisão restringia a liberdade artística. O episódio retrata sua posição combativa em relação a restrições administrativas.

Ao longo da carreira, o artista teve a saúde como tema de reflexão. Em 1962, uma passagem fotográfica mostra Hockney fumando durante uma fase de intensa produção, enquanto enfrentava críticas ao seu sotaque no ensino. A relação com o hábito pode ser interpretada como um recurso de identidade artística ou social.

Hockney reconhecia o consumo de cigarros como parte de seu modo de vida. Entre os médicos, a expectativa era de que a saúde pudesse piorar com o tempo, mas ele continuou fumando por muitos anos. Durante a década de 2000, apoiou debates sobre direitos individuais, incluindo a defesa de fumar em contextos restritos, em contraste com campanhas de saúde pública.

O artista manteve uma presença constante na imprensa especializada, inclusive em mensagens enviadas ao Guardian ao longo de anos. Ele questionou frequentemente o alcance de políticas de saúde pública, comparou ambientes de fumo a espaços de lazer europeus e ironizou mudanças regulatórias, mantendo o foco em liberdade individual.

Além das controvérsias, a trajetória criativa de Hockney incluiu obras que dialogam com a vida privada, incluindo retratos e colagens que mantêm o registro de seu estilo vibrante. Apesar de críticas à saúde decorrentes de um mini-derrame em 2012, o conjunto de trabalhos recentes manteve a assinatura de calor humano, especialmente em retratos de cuidadores e figuras próximas.

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