Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Shakespeare não criou a palavra drag; quem a cunhou

Linha de pesquisa desmonta mito de Shakespeare; "drag" tem raízes na Inglaterra vitoriana, ganhando popularidade no século XX

Retrato gravado de William Shakespeare, com cabeça calva, cabelos longos e ondulados nas laterais, bigode e barba rala. Ele usa um colarinho branco plissado e olha diretamente para frente. O fundo é texturizado com linhas cruzadas
0:00
Carregando...
0:00
  • O verbo drag vem do inglês médio draggen, ligado a raízes germânicas antigas, e não tem relação com Shakespeare.
  • A ideia de que drag seria derivado de Shakespeare é um mito; a relação com o travestimento pode ter surgido no teatro, mas não há prova concreta.
  • A ligação mais antiga documentada ao termo, como referência a travestismo, aparece na Inglaterra por volta de 1860, com Ernest Boulton.
  • A prática ganhou força nos bailes de Harlem a partir dos anos 1920, ajudando a popularizar o termo.
  • Nos anos 1960, com a cultura gay, as drags passaram a ter maior visibilidade, tornando-se arte, identidade e ativismo em cidades como São Francisco e Nova York.

O termo drag não tem origem em Shakespeare nem é acrônimo de “Dressed Resembling A Girl”. A explicação comumente espalhada na internet não se sustenta, e exige que se observe a evolução lexical ao longo dos séculos.

Dois planos ajudam a entender: a etimologia de drag como verbo e como substantivo. O verbo surge no inglês médio a partir de draggen, ligado a puxar ou arrastar, vindo do nórdico antigo draga. Não há relação direta com travestismo.

Quando o termo passou a designar pessoas que se vestem como o sexo oposto, o caminho é mais nebuloso. Estudos apontam que, no teatro, o vestuário de atores masculinos para papéis femininos deu origem a uma gíria ligada a roupas de mulher, possivelmente associada ao arrasto do vestido.

A hipótese mais antiga situaria a origem da referência ao travestismo no palco, com a prática de encenar papéis femininos por homens. No entanto, a definição pode ter surgido apenas no século XVIII ou XIX, segundo pesquisadoras como Lady J, que ligam o uso ao contexto vitoriano inglês.

O marco documental mais antigo apontado ocorre em 1860, na Inglaterra vitoriana, quando Ernest Boulton descreveu performances de travestismo como “drag”. A partir daí, o termo passou a designar não só a prática, mas uma forma de arte e identidade.

Ao longo do século XX, a expressão ganhou projeção global. Bailes drag no Harlem, a partir dos anos 1920, ajudaram a levar a prática para além do circuito fechado, com shows em cabarés e casas noturnas.

Na década de 1960, a visibilidade cresceu com a ascensão da cultura LGBTQIA+. Estudos indicam que as drag queens se tornaram figuras centrais na comunidade, especialmente durante confrontos com a polícia em cidades como São Francisco e Nova York.

Assim, a história do termo é marcada por várias fases: raízes linguísticas antigas, uso ligado ao travestismo no teatro, popularização no século XX e fortalecimento como expressão artística e identitária. O que aconteceu separadamente do mito, é que o termo ganhou permanência cultural.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais