- Reality show “As Patroas”, criado por Viih Tube e Eliezer, reúne onze funcionários da mansão em Alphaville competindo por prêmios, com o formato batizado de “desafio CLT”.
- Na estreia, os trabalhadores aparecem mergulhando no lago, revirando lixo e vasos sanitários em busca de moedas de plástico, para definir a patroa da semana.
- O texto associa o programa à Saturnália moderna e destaca a precarização histórica do emprego doméstico, majoritariamente feito por mulheres negras.
- O Ministério Público do Trabalho abriu investigação para apurar possíveis violações trabalhistas e de direitos humanos; Viih Tube desativou suas redes sociais após as críticas.
- O esquema levanta questões sobre consentimento e poder desigual, já que os empregados atuam como elenco sem remuneração direta, enquanto a produção lucra com os vídeos.
Na realidade brasileira, o reality show As Patroas, criado por Viih Tube e Eliezer, coloca 11 funcionários da mansão do casal em Alphaville em competição por prêmios semanais, sob moldes que remetem a uma versão contemporânea da antiga Saturnália. As gravações mostram provas com tarefas de busca por moedas de plástico em ambientes como lago, lixo e vasos sanitários.
O elenco é composto por babás, cozinheiras e motoristas que atuam sob contrato de trabalho na residência. A dinâmica, apelidada de desfecho CLT, determina que a cada semana a “patroa da semana” recebe o título e vantagens, enquanto quem faltar às gravações pode ser eliminado, mesmo em dias de folga.
A estreia do programa ocorreu em meio a críticas por representar desigualdades de poder entre empregadores e empregados. A produção envolve a monetização de conteúdos pelos responsáveis pelo formato diante de milhões de visualizações, com os trabalhadores sendo expostos a atividades bem abaixo de condições ideais de trabalho.
O caso levanta questões sobre consentimento, autonomia e condições de trabalho. Organizações de defesa trabalhista sinalizaram a possibilidade de violações de direitos, dada a assimetria entre quem comanda o salário e quem executa as tarefas diárias da casa.
A repercussão levou a uma possível intervenção do Ministério Público do Trabalho para apurar condições laborais, riscos de exploração e tratamento dado aos funcionários. Em resposta às críticas, Viih Tube desativou temporariamente sua presença nas redes sociais, interrompendo a divulgação do conteúdo do programa.
O debate público reflete o interesse do público por formatos de entretenimento que discutam poder, classe e desigualdade. Enquanto o capítulo atual envolve inspeção de órgãos competentes, o tema permanece no centro do debate sobre ética no uso de trabalhadores como parte de uma atração de audiência.
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