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Primeira brasileira no k-pop revela bastidores da indústria sul-coreana

Larissa Ayumi relembra anos de treinos exaustivos e cobranças ao corpo, conflitos internos e saída do Blackswan para reconstruir a carreira no exterior

Larissa Ayumi fez parte do grupo Blackswan
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  • Larissa Ayumi, natural de Curitiba, foi a primeira brasileira a integrar um grupo de k-pop, o Blackswan, estreando em 2020 após cerca de seis anos de treino.
  • Em seu relato, ela descreve a rotina exaustiva de treinamentos, cobrança corporal constante e restrições à vida pessoal, incluindo observância rígida de dietas.
  • A cantora deixou o Blackswan em 2022, após conflitos internos e pressão psicológica que afetaram sua saúde mental; a saída ocorreu mesmo diante de recusas anteriores da empresa.
  • Ela afirma que nunca recebeu salário pelo trabalho como idol, com custos de videoclipes e figurinos sendo descontados das receitas do grupo; o contrato só foi rescindido no fim de 2025.
  • Hoje mora na Coreia do Sul, atua como modelo e criadora de conteúdo e planeja abrir uma loja de produtos coreanos para o público brasileiro, além de investir na retomada da carreira.

Larissa Ayumi, primeira brasileira a integrar um grupo de k-pop, falhou sonhos de adolescente? Não. Aos 13 anos deixou o Brasil sozinha para tentar a carreira na Coreia do Sul e, aos 19, tornou-se a primeira brasileira a estrear com o Blackswan. O caminho foi marcado por treinos exaustivos, cobranças corporais e restrições pessoais.

Da minha Curitiba para a Coreia, a história de Ayumi revela como funciona o sistema de formação de idols na Coreia. Em vez de concursos, grandes empresas recrutam e treinam por anos antes de decidir quem debuta. A jovem participava de audições em Curitiba em 2014 e foi a única selecionada, com todas as despesas pagas, para viajar.

Antes do debut, os meses eram de treino intenso. Sem idioma, morava entre dormitórios e ensaios. Segunda a sábado, com o domingo livre, mas sem poder sair sozinha. O choque inicial veio com técnicas rigorosas de alongamento e cobranças severas, além da adaptação difícil a uma nova língua.

A pressão como trainee

Durante aproximadamente seis anos, Larissa alternava entre Brasil e Coreia, estudando em escolas brasileiras quando em casa. Viagens para o país asiático chegavam com pouca antecedência, às vezes apenas uma semana antes do embarque. Enviava vídeos semanais de canto e dança para avaliação.

A rotina de treino era marcada por intensidade e ambiguidade contratual. Embora gostasse do desafio, a pressão era constante. A brasileira descreve uma cobrança específica sobre o peso, com críticas se o corpo fugisse do padrão estabelecido pela empresa.

As refeições também eram monitoradas, priorizando opções consideradas saudáveis para evitar ganho de peso, o que afetava a autoestima de Ayumi. A experiência, ainda que extenuante, teve momentos de satisfação ao subir aos palcos de programas sul-coreanos.

Os bastidores da vida de idol

Ayumi estreou oficialmente no Blackswan em 2020, tornando-se a primeira brasileira a integrar um grupo de k-pop. Contudo, a realidade nos bastidores contrastava com o glamour da imagem pública. Em entrevistas, a artista relata convivência difícil com outras trainees e resistência a estrangeiros na indústria.

Segundo ela, a gestão estimulava rivalidade entre as integrantes, ao incentivar comparações entre talentos. Conflitos internos passaram a afetar a saúde mental, levando a pedidos de saída, recusados pela empresa. O hiato de 2021 e a saída definitiva ocorreram em 2022.

A vida dentro da agência também gerou receios de retaliação. Ayumi afirma ter ouvido que sua carreira poderia ser destruída na Coreia caso insistisse em sair. Mesmo após deixar o grupo, afirma não ter recebido remuneração correspondente ao que o trabalho exigia, com custos de videoclipes, figurinos e produção descontados das receitas.

A vida após o k-pop

Hoje, Larissa vive na Coreia do Sul, atuando como modelo e criadora de conteúdo, sem intenção de retornar ao k-pop. Apesar do contrato rescindido apenas em 2025, a artista diz que não se arrepende da experiência, destacando o aprendizado e o apoio de pessoas próximas.

Para manter o visto, investiu em estudo de coreano e chegou a trabalhar em uma oficina mecânica durante a reorientação profissional. Seu objetivo é fortalecer a carreira de modelo e, futuramente, abrir uma loja de produtos coreanos para o público brasileiro.

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