- Estudo da Imperial College London com 2.252 adultos mostrou que jogos de mundo aberto podem trazer bem-estar emocional, ajudando a reduzir solidão e aumentar autocontrole e estoicismo.
- Dados da pesquisa indicam que jogar jogos de mundo aberto está associado a aproximadamente 50% mais estoicismo e 30% menos solidão; jogos acessíveis elevam o foco e o controle emocional em cerca de 24%.
- Os autores sugerem uma “dieta digital” equilibrada, combinando jogos desafiadores com títulos mais relaxantes para favorecer o bem-estar emocional.
- Especialistas destacam que esses jogos podem oferecer autonomia, senso de controle e pertencimento simbólico, funcionando como apoio para adultos em rotina de pressão ou isolamento, mas não substituem a saúde mental profissional.
- Ainda segundo especialistas, o uso equilibrado pode ajudar, mas uso exclusivo pode aumentar o isolamento; os videogames devem complementar vínculos reais e outras formas de cuidado.
Os videogames podem ajudar no controle emocional, desmentindo a ideia de que são apenas fuga da realidade. Pesquisadores da Imperial College London, no Reino Unido, apontam benefícios além da diversão. O estudo, divulgado na JMIR Publications, envolveu adultos e mostrou impactos positivos na emoção e no bem-estar.
Foram 2.252 profissionais com 21 anos ou mais entrevistados sobre hábitos de jogo, percepção emocional e solidão. Os resultados sugerem que jogos de aventura de mundo aberto, acessíveis e inspiradores podem reduzir a solidão, aumentar a resiliência e fortalecer o autocontrole.
Os pesquisadores destacam que promover uma mistura de jogos desafiadores e momentos mais relaxantes pode criar uma “dieta digital” equilibrada para o emocional. A análise aponta ganhos significativos para quem joga esse tipo de título.
Impacto dos jogos no emocional
Participação em jogos de mundo aberto aparece associada a cerca de 50% a mais de estoicismo e 30% menos solidão. Jogos mais acessíveis mostram aumento de ~24% na concentração e no controle emocional, além de redução semelhante da sensação de isolamento.
A psicóloga Denise Milk, em Brasília, afirma que a autonomia e o senso de pertencimento oferecidos por esses jogos ajudam a afastar a solidão. Ela ressalta que o jogador atua, decide e percebe progresso, elementos que fortalecem o bem-estar.
Para adultos sob pressão ou isolamento, o jogo pode funcionar como espaço de recuperação psicológica. A especialista frisa que ele não substitui vínculos reais, mas oferece presença, narrativa e continuidade, reduzindo temporariamente o vazio.
Habilidades desenvolvidas e percepções
Outra comentarista, Regina Vera Sautchuck, ressalta que desafios, resolução de problemas e superação no jogo estimulam autocontrole e enfrentamento de dificuldades, elementos ligados à resiliência emocional.
Dados apresentados pelos cientistas indicam que pessoas naturalmente mais resilientes podem ser atraídas por esse tipo de entretenimento, em uma relação de ida e volta entre traços e prática lúdica.
Experiências individuais
Um servidor público brasileiro relata que os jogos foram parte essencial de sua vida desde a infância, ajudando a enfrentar problemas diários. A prática se tornou fonte de apoio emocional, amizades e, em alguns casos, de aprendizado de inglês sem curso formal.
Outra jogadora, arquiteta de jogos e produtora, comenta que jogos como The Sims 1 e Pokémon Go ajudam na regulação emocional. Em situações de ansiedade social, o game direciona a atenção e facilita a convivência em ambientes cheios.
Atenção ao equilíbrio
A psicóloga Cristiane Vaz de Moraes Pertusi reforça que os videogames podem funcionar como recurso complementar de bem-estar, não substituindo vínculos humanos. O uso equilibrado facilita a redução da solidão, porém o isolamento pode aumentar se o jogo for a única estratégia de enfrentamento.
Ela acrescenta que a forma de integração do jogo na vida da pessoa é determinante. Além disso, o incentivo a recompensas rápidas pode reduzir a tolerância a ritmos mais lentos em atividades do cotidiano.
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