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Bexiga abriga grandes companhias de teatro e espaços de memória de memória afetiva

Bexiga, reduto cultural de memória afetiva, mantém teatros históricos e espaços tombados, com programação que revitaliza o bairro

Região é reduto cultural marcado pela resistência, com locais como Teatro Oficina e Vila Itororó
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  • O Bexiga é um reduto cultural no centro de São Paulo, com teatros, exposições, shows e espaços de memória afetiva.
  • O teatro Oficina, na região desde 1961, estreia o espetáculo “O Bailado do Deus Morto” na próxima sexta, mantendo o prédio marcado pela convivência entre cidade e espaço.
  • O Teatro do Incêndio funciona em um imóvel tombado de 1.905 entre as ruas Treze de Maio e Santo Antônio, que passa por reforma e ganha até parklet.
  • O Museu Memória do Bixiga, aberto desde 1981, recebe o projeto Memória Negra do Bixiga, destacando Vai-Vai e a paróquia Nossa Senhora da Achiropita pela perspectiva da Pastoral Afro.
  • A Vila Itororó, inaugurada como Centro Cultural, e a Casa Mestre Ananias reforçam a programação com rodas de capoeira, samba e ações sociais, valorizando jovens artistas e a memória do bairro.

O Bexiga, bairro central de São Paulo, concentra uma programação cultural intensa com teatros, exposições, shows e gastronomia. A região é reconhecida como reduto de resistência e memória afetiva, marcado por espaços que resistem ao tempo.

Entre os ícones, o teatro Oficina permanece desde 1961 e se prepara para estrear o espetáculo O Bailado do Deus Morto na próxima sexta-feira. Seu prédio na rua Jaceguai tem uma fachada com parede de vidro que aproxima cidade e palco, refletindo a ideia de coesão entre o bairro e o espaço cultural.

Desde 2017, um imóvel tombado de 1905, na confluência das ruas Treze de Maio e Santo Antônio, abriga a companhia. Esse espaço já foi sede do Café Society e da boate Igrejinha, onde Maysa realizou seu último show, e passa por reformas que incluem até um parklet.

Encruzilhadas criativas no Bexiga

O projeto atual da companhia é Sou Encruzilhada, Sou Porta de Entrada, Sou Correnteza da Vida, Sou Esquina Cortada: Ave Bixiga!, que une residência artística a aulas de teatro para jovens, com planos de transformar-se em escola cultural no próximo ano. A diretora de produção destaca o objetivo de ampliar o olhar artístico sobre o bairro.

Na mesma linha, o Teatro do Incêndio funciona como ponto de encontro de artistas de diferentes formações, alojado em uma encruzilhada literal do cenário cultural local.

Museu Memória do Bixiga

Na rua dos Ingleses, o Museu Memória do Bixiga exibe laços afetivos com o bairro desde a inauguração em 1981. A instituição visa preservar a memória local e valorizar a participação comunitária. O acervo inclui itens ligados à Vai-Vai e à Paróquia Nossa Senhora da Achiropita, com representação pela Pastoral Afro.

O pouco espaço disponível é utilizado para evidenciar a história da região por meio de objetos trazidos pela comunidade, fortalecendo a participação popular na conservação da memória local.

Casa Mestre Ananias e capoeira

A Casa Mestre Ananias, inaugurada originalmente em 2007 a partir das rodas de capoeira da praça da República, destaca a cultura popular brasileira. O espaço funciona como plataforma para rodas de capoeira às terças-feiras, além de atividades de samba e projetos sociais para crianças e idosos, estabelecendo uma ponte entre tradição e comunidade.

Vila Itororó e Centro Cultural

O Centro Cultural Vila Itororó, instalado na antiga vila residencial tombada como patrimônio histórico em 2002, abriu ao público oficialmente em setembro deste ano. O espaço promove programação com jovens artistas, projetos autorais e apresentações em palcos não convencionais, como cinema ao ar livre e shows em locais como uma piscina. A ideia é transformar espaços improváveis em palco para artistas e público.

Gestor do centro observa que a programação privilegia a participação comunitária e a presença de artistas periféricos, com apresentações em diferentes dias da semana, inclusive no palco Éden e nos palcos informais da Vila. A proposta valoriza a identidade periférica do Bexiga dentro do centro de São Paulo, reforçando a ocupação cultural do espaço.

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