Uma piada comum no setor vinícola sugere que a melhor maneira de criar uma fortuna em uma vinícola é começar com uma grande fortuna. Isso se deve aos altos custos e riscos envolvidos, tornando o investimento desafiador e com retorno financeiro incerto. No entanto, essa percepção contrasta com o crescimento observado no Sudeste do Brasil, […]
Uma piada comum no setor vinícola sugere que a melhor maneira de criar uma fortuna em uma vinícola é começar com uma grande fortuna. Isso se deve aos altos custos e riscos envolvidos, tornando o investimento desafiador e com retorno financeiro incerto. No entanto, essa percepção contrasta com o crescimento observado no Sudeste do Brasil, onde mais de duas centenas de novas vinícolas estão sendo estabelecidas, especialmente nas regiões de Andradas e Espírito Santo Pinhal, com cerca de 60 novas fazendas dedicadas à produção de uvas.
Valério Marega Jr., investidor da WNT e proprietário da vinícola Arpuro, localizada a 50 quilômetros de Uberaba, em Minas Gerais, afirma que “ninguém está entrando nessa para perder dinheiro”. Ele destaca que o potencial de retorno é elevado, e que a vinícola não é apenas um hobby para milionários. Marega Jr. investiu na vinícola após perceber, durante a pandemia, que a amplitude térmica da região era ideal para o cultivo de uvas, utilizando a técnica da dupla poda, que permite colheitas em períodos secos, resultando em frutas de melhor qualidade.
Os custos para estabelecer uma vinícola variam entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão por hectare, e Marega Jr. acredita que o retorno não virá apenas da venda de vinhos, mas também do enoturismo, que já gera mais receita do que a venda da bebida em algumas vinícolas. A Arpuro, mesmo antes de lançar seus vinhos, já atraía entre 70 e 80 visitantes por dia nos fins de semana, oferecendo experiências que incluem degustação de vinhos da região e passeios pela propriedade.
A vinícola Arpuro planeja produzir mais de 15 mil garrafas de quatro variedades de vinhos, com a expectativa de aumentar a produção para 60 mil garrafas anualmente. Marega Jr. enfrenta o desafio de mudar a percepção sobre o vinho brasileiro, especialmente no Sudeste, onde muitos consumidores ainda associam a bebida a status. Ele acredita que a qualidade dos vinhos, aliada ao enoturismo, permitirá à vinícola se destacar no mercado, oferecendo produtos de alta qualidade e experiências únicas aos visitantes.
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