A modelagem das roupas de Eunice Paiva reflete as transformações em sua vida após a tortura e morte do marido, o ex-deputado Rubens Paiva, em 1971. Antes, como dona de casa de classe média alta no Rio, Eunice usava peças sofisticadas, mas, com a nova realidade financeira, adotou um estilo mais prático e discreto. No […]
A modelagem das roupas de Eunice Paiva reflete as transformações em sua vida após a tortura e morte do marido, o ex-deputado Rubens Paiva, em 1971. Antes, como dona de casa de classe média alta no Rio, Eunice usava peças sofisticadas, mas, com a nova realidade financeira, adotou um estilo mais prático e discreto. No filme “Ainda estou aqui”, essa mudança é evidente: a protagonista, interpretada por Fernanda Torres, começa a usar roupas mais simples e ajustadas, simbolizando sua adaptação à dor e à rotina sem a ajuda de uma empregada.
Os filhos de Eunice, como Eliana Paiva, lembram que, após o desaparecimento do pai, suas roupas tornaram-se menos elaboradas, refletindo um cotidiano mais austero. Eliana destaca que a mãe costumava se vestir para agradar Rubens, mas, com a perda, seu estilo se tornou mais cotidiano, com saias retas e menos saltos. Na década de 1980, já em São Paulo e atuando na defesa de comunidades indígenas, Eunice simplificou ainda mais seu vestuário, abandonando os códigos de elegância que seguia anteriormente.
Eunice era uma costureira habilidosa, confeccionando a maior parte de suas roupas e das filhas em sua máquina de costura. Eliana recorda que a mãe usava tecidos de qualidade e rendas, mas preferia composições simples, como blusinhas e calças. A professora Solange Mezabarba observa que essas habilidades eram valorizadas entre as mulheres da época, que eram incentivadas a serem boas esposas e mães, mantendo a elegância em suas interações sociais.
Durante a produção do filme, a figurinista Claudia Kopke enfrentou desafios para recriar o guarda-roupa de Eunice, já que faltavam registros visuais. A equipe buscou um estilo mais casual e relaxado, inspirado em escritoras da época, como Joan Didion. Fernanda Torres, em algumas ocasiões, considerou usar peças que não se encaixavam no estilo de Eunice, mas a figurinista insistiu em manter a autenticidade. O figurino final incluiu itens de brechós e peças trazidas de viagens, como um colar da Amazônia e mocassins de Londres, simbolizando a evolução do estilo de Eunice ao longo dos anos.
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