Um estudo informal realizado por um jornalista revela diferenças significativas na receptividade de restaurantes em relação a famílias com crianças, dependendo do gênero do chef. O autor enviou um questionário a trinta restaurantes com estrelas Michelin em várias comunidades autônomas da Espanha, perguntando se aceitavam crianças. Todos os restaurantes liderados por mulheres afirmaram aceitar crianças, […]
Um estudo informal realizado por um jornalista revela diferenças significativas na receptividade de restaurantes em relação a famílias com crianças, dependendo do gênero do chef. O autor enviou um questionário a trinta restaurantes com estrelas Michelin em várias comunidades autônomas da Espanha, perguntando se aceitavam crianças. Todos os restaurantes liderados por mulheres afirmaram aceitar crianças, enquanto entre os dirigidos por homens, apenas 46% concordaram, e 54% não aceitaram ou impuseram condições.
As respostas variaram bastante. Restaurantes que aceitam crianças frequentemente expressaram entusiasmo, afirmando que fazem o possível para que todos desfrutem da experiência. Por outro lado, aqueles que não aceitam geralmente apresentaram justificativas relacionadas ao espaço ou à experiência gastronômica, como a falta de adaptações para crianças. O machismo foi identificado como uma explicação para essa disparidade, com o autor observando que a diferença de tratamento é notável, mesmo em situações semelhantes.
Entre os chefs que se mostraram receptivos, destacam-se Elena Arzak, a única chef na Espanha com três estrelas Michelin, e Fina Puigdevall, que lidera o restaurante Les Cols. Ambas enfatizam a importância de educar as crianças em ambientes gastronômicos e afirmam que a presença de crianças é bem-vinda. Arzak recorda que, em sua experiência, apenas teve alguns incidentes menores com crianças, enquanto Puigdevall acredita que é um erro não aceitar crianças nos restaurantes.
A fundadora do Club de las Malasmadres, Laura Baena, e a chef Maria Nicolau também comentaram sobre a situação. Baena destacou a “niñofobia” presente em muitos estabelecimentos, enquanto Nicolau observou que a maioria das pessoas que optam por trabalho em meio período para cuidar de crianças são mulheres, refletindo uma desigualdade de gênero que afeta a presença feminina em posições de liderança na gastronomia. O estudo, embora não científico, revela uma realidade preocupante sobre a aceitação de crianças em restaurantes e a necessidade de mais mulheres em posições de chefia.
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