A arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), famosa por obras como o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Sesc Pompeia, teve um encontro marcante com o arquiteto holandês Aldo Van Eyck (1918-1999) em 1969, em São Paulo. Durante um almoço na Casa de Vidro, os dois trocaram ideias por algumas horas, e Eyck […]
A arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), famosa por obras como o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Sesc Pompeia, teve um encontro marcante com o arquiteto holandês Aldo Van Eyck (1918-1999) em 1969, em São Paulo. Durante um almoço na Casa de Vidro, os dois trocaram ideias por algumas horas, e Eyck se inspirou não apenas nas obras de Bo Bardi, mas também em sua visão sobre a arquitetura. Essa relação é explorada no livro “Lina por Aldo” (Cobogó, 400 págs., R$ 112), organizado por Isabel Diegues e Jorn Konijn, que reúne textos de especialistas sobre a influência mútua entre os dois.
O foco da obra não está apenas nas semelhanças visuais de seus projetos, mas na proposta de uma arquitetura inclusiva, que promove a interação entre os habitantes das cidades. Os organizadores destacam que, apesar de suas trajetórias distintas, ambos eram pensadores que refletiam sobre a sociedade em que viviam. A relação com o lúdico é uma característica marcante de suas obras, com Van Eyck projetando mais de setecentos playgrounds em Amsterdã, enquanto Bo Bardi organizou exposições voltadas para crianças.
Van Eyck redescobriu a obra de Bo Bardi nos anos 1990, após sua morte, ao visitar uma exposição em Londres. Ele ficou fascinado e dedicou seus últimos anos a promover seu trabalho globalmente, participando até de um documentário da TV holandesa em 1996. Durante sua visita ao Brasil, ficou impressionado com os projetos de Bo Bardi, especialmente o Masp, que descreveu como um “fenômeno” que devolve espaço à cidade.
O texto de abertura do livro, escrito por Van Eyck, expressa seu encantamento pela obra de Bo Bardi, ressaltando a importância do Masp como um espaço que não apenas se destaca, mas também integra a cidade. Ele enfatiza que a arquitetura deve servir à população, criando um ambiente acessível e humano. O livro é complementado por fotografias inéditas tiradas por Van Eyck durante sua visita ao Brasil, que ilustram essa conexão entre os dois arquitetos.
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