Uma pesquisa recente identificou 409 espécies de cogumelos comestíveis no Brasil, abrangendo diferentes biomas, como a Mata Atlântica. O estudo, publicado na revista IMA Fungus, ressalta que 59 dessas espécies precisam de cuidados no preparo para evitar intoxicações. Os pesquisadores usaram dados já existentes e realizaram coletas de campo, confirmando as espécies por meio de análises de DNA. A etnomicologia, que estuda a relação entre fungos e sociedade, é a base desse conhecimento. Enquanto 350 espécies podem ser consumidas sem riscos, 59 exigem cozimento ou outro tipo de preparo. A lista de cogumelos comestíveis pode aumentar, pois muitos indígenas e coletores rurais consomem fungos sem saber suas espécies. A pesquisa confirmou 86 espécies comestíveis, mas ainda são necessários estudos mais detalhados para as outras 323. Estima-se que cerca de 1% das 29 mil espécies de cogumelos conhecidas no mundo podem causar intoxicação, com 30 delas sendo mortais. Os cogumelos silvestres são ricos em nutrientes, como aminoácidos e minerais. Em São Paulo, coletores urbanos buscam cogumelos silvestres para consumo e venda, enquanto a etnia Yanomami é a maior consumidora de cogumelos no país.
Estudo mapeia 409 espécies de cogumelos comestíveis no Brasil
Uma pesquisa inédita identificou 409 espécies de cogumelos comestíveis que crescem em diversos biomas brasileiros, como a Mata Atlântica. O estudo, publicado em dezembro de 2024 na revista IMA Fungus, alerta para a necessidade de mais pesquisas para evitar intoxicações, já que 59 dessas espécies exigem cuidados no preparo.
A pesquisa compilou dados de espécies já registradas no país e realizou levantamentos bibliográficos e coletas de campo para confirmar a identificação por meio de análises de DNA. A base do conhecimento sobre a comestibilidade das espécies está na etnomicologia, ciência que estuda a relação entre fungos e sociedade, explica o micólogo Nelson Menolli Jr., coordenador do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em Micologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP).
Das espécies identificadas, 59 exigem cozimento ou outro tipo de preparo para evitar reações adversas, enquanto as demais 350 podem ser consumidas sem riscos. Os cogumelos são as estruturas reprodutivas de fungos que se desenvolvem a partir do micélio, o conjunto de filamentos que forma a estrutura e se espalha sob o solo ou por troncos de árvore.
Lista deve crescer com o conhecimento popular
A micóloga chilena Giuliana Furci, da Fundação Fungi, destaca que a lista deve crescer, pois muitos indígenas e coletores rurais consomem cogumelos sem saber a espécie. Alguns fungos não têm a aparência tradicional de haste e chapéu, podendo se assemelhar a gravetos ou corais.
Pesquisadores confirmaram a identidade e ocorrência no país de 86 espécies comestíveis com base na literatura ou análise genética. Para as 323 restantes, serão necessários estudos mais detalhados de amostras coletadas em campo, com 120 expedições realizadas em 11 estados nos últimos sete anos.
Intoxicação e valor nutricional
Estima-se que cerca de 1% das 29 mil espécies de cogumelos conhecidas no mundo pode causar intoxicação, sendo que 30 delas são mortais. A micóloga Mariana Drewinski, autora principal do artigo da IMA Fungus, alerta: “Se não tem certeza da identificação, aprecie com os olhos, mas não coma”.
Análises preliminares indicam que os cogumelos silvestres são fonte de aminoácidos e micronutrientes essenciais, além de gorduras insaturadas, fibras e minerais como potássio, ferro e zinco.
Coletores urbanos e tradição indígena
Em São Paulo, coletores urbanos no bairro de Parelheiros forrageiam cinco espécies de cogumelos silvestres para consumo próprio ou venda local. O chef Raphael Vieira, do 31 Restaurante, utiliza esses cogumelos em seus pratos desde 2010, destacando a variedade de sabores e texturas.
A etnia Yanomami é considerada a maior consumidora de cogumelos comestíveis no país, com o subgrupo Sanöma consumindo 15 espécies diferentes. Uma mistura dessas espécies é vendida no site Sanöma, mas estava esgotada na data da publicação.
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