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Uñas perfectas refletem desigualdades sociais e padrões de beleza raciais

A estética das unhas revela desigualdades sociais e raciais, com estilos valorizados de forma distinta conforme o privilégio da usuária.

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O cuidado com as unhas é uma forma acessível de estética, comum entre mulheres de várias classes sociais. Um vídeo viral no Instagram mostrou que a percepção sobre as unhas varia muito, dependendo do privilégio racial e social da pessoa. A especialista em beleza Suzanne E. Shapiro afirma que as unhas bem cuidadas são uma maneira fácil de se sentir atraente, mas a ideia de “unhas perfeitas” não é universal. Um post da revista Allure destacou a reação negativa a um estilo de unhas que não se encaixa nos padrões tradicionais de beleza, mostrando que as unhas curtas e discretas são vistas como mais aceitáveis, especialmente entre mulheres brancas. Essa estética é ligada a um padrão de classe e feminilidade, enquanto estilos mais ousados, frequentemente usados por mulheres de comunidades racializadas, são considerados vulgares até que sejam adotados por influenciadoras brancas. A diferença na forma como as unhas são percebidas revela preconceitos de classe e raça. Celebridades como Rosalía e Billie Eilish, que usam unhas longas e decoradas, muitas vezes não são reconhecidas por tendências que mulheres negras iniciaram. A forma das unhas pode parecer um detalhe pequeno, mas reflete questões maiores sobre quem pode se expressar e ser aceito na sociedade.

Um vídeo viral no Instagram, publicado pela revista Allure, expôs desigualdades nas percepções sobre as unhas, revelando como estilos diferentes são valorizados de maneira desigual, dependendo do privilégio racial e social da usuária. A conta @vintage_dusties, que revitaliza esmaltes antigos, recebeu críticas por suas unhas curtas em formato stiletto, evidenciando um padrão de beleza que favorece certos grupos.

A autora Suzanne E. Shapiro, em seu livro *Nails: The Story of the Modern Manicure*, destaca que o cuidado com as unhas é uma forma acessível de estética, com resultados confiáveis. No entanto, a ideia de “unhas perfeitas” não é universal. A manicure clássica, com unhas curtas e tons discretos, é vista como um símbolo de classe e tradição, especialmente entre mulheres de classe média.

A especialista em beleza Kimberley Nkosi observa que as unhas discretas são um código visual de moderação e feminilidade, refletindo um padrão herdado de elegância. Essa estética, que remete ao início do século XX, contrasta com a popularização das unhas acrílicas nos anos 1990, que eram associadas a um estilo de vida ocioso.

A jornalista Brenda Otero aponta que a tendência das “unhas enjabonadas”, em cores suaves e brilhantes, está ligada à estética clean girl, que enfatiza um visual natural e requer investimento em cuidados. Essa estética é vista como um reflexo de privilégio de classe e uma volta a valores conservadores.

A discussão sobre o “nail privilege” (privilegio de unhas) ganhou força nas redes sociais. Usuárias afirmam que a aparência das unhas influencia a forma como são tratadas, com unhas bem cuidadas gerando mais respeito. A estilista Noelia Jiménez observa um viés quando mulheres brancas adotam designs mais ousados, que antes eram considerados vulgares em mulheres racializadas.

Ines Cavem, do estúdio de unhas Arpías, destaca que o nail art, especialmente o mais chamativo, tem raízes na cultura afroamericana e latina, onde era uma forma de empoderamento. A estética das unhas reflete a construção social da beleza, que varia conforme raça e classe, como apontado por Miliann Kang em seu livro *The Managed Hand*.

O caso de Sha’Carri Richardson, que enfrentou críticas por sua manicure durante os Jogos Olímpicos, ilustra como a estética das unhas pode ser interpretada de maneira diferente, dependendo da identidade racial. Celebridades como Rosalía e Billie Eilish, que exibem unhas longas e decoradas, muitas vezes não enfrentam o mesmo estigma que mulheres racializadas. A silhueta das unhas, portanto, é um reflexo do status social e das desigualdades presentes na sociedade.

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