- O autor visitou o Caubi, no Centro do Rio de Janeiro, e encontrou um açucareiro de metal, um objeto em extinção.
- Durante a visita, recordou memórias da infância, como o prazer de um pingado com pão na chapa.
- O Centro do Rio, especialmente a Rua do Ouvidor, foi um importante polo de confeitarias e cafés no início do século XX.
- A Casa Cavé e a Confeitaria Colombo são locais históricos que ainda preservam a tradição, enquanto a Manon tem mais de 60 anos de história.
- O café chegou ao Brasil no século XVIII, e Dom Pedro II promoveu esforços de reflorestamento devido ao desmatamento causado pelo cultivo.
Quando pagava a feijoada no Caubi, localizado próximo à Praça da República, no Centro do Rio, deparei-me com um objeto em extinção: o açucareiro de metal. Aquele mecanismo, com sua lingueta frouxa, sempre foi um desafio para dosar o açúcar. Enquanto o atendente perguntava “Débito ou crédito?”, recordei os anos 80 e a nostalgia de um simples pingado com pão na chapa em uma padaria tradicional.
O Centro do Rio, especialmente a Rua do Ouvidor, era um polo de confeitarias e cafés no início do século XX. Esses locais eram cenários de debates políticos e encontros românticos. A Casa Cavé, a mais antiga do Rio, e a Confeitaria Colombo ainda preservam essa história. A Manon, embora mais recente, também figura entre as tradicionais, com mais de 60 anos de história.
Na Casa Cavé, é possível degustar delícias portuguesas, enquanto na Confeitaria Colombo, os espelhos europeus contam histórias de sua construção. O Café Papagaio, que existia nas proximidades, era um ponto de encontro de músicos e jornalistas, onde nasceu o jornal “O Tagarela”. O cartunista Raul Pederneiras, em tom de deboche, apelidou o dono de “papagaio”, e o nome pegou.
A História do Café no Brasil
O café chegou ao Brasil no século XVIII, e Laranjeiras foi um dos primeiros locais testados para seu cultivo. No entanto, o desmatamento prejudicou a terra. Dom Pedro II, ciente do estrago, promoveu um dos primeiros esforços de reflorestamento no país. A história do café é marcada por figuras como Manoel de Aguiar Vallim, que buscava um título de nobreza, mas teve seu pedido negado devido a seu envolvimento no tráfico de africanos.
No mesmo dia da visita ao Caubi, o autor também passou pela padaria que frequentava na infância. Apesar das mudanças, um simples pão com café trouxe de volta a sensação de tradição e pertencimento. A conexão com o passado é reforçada por esses pequenos prazeres que resistem ao tempo.
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