Nesta quinta-feira, 24 de agosto, é o Dia Mundial do Autocuidado, criado pela OMS para destacar a importância de cuidar do corpo e da mente. O autocuidado é fundamental em um mundo cheio de poluição e produtos processados. Criar uma rotina de cuidados é uma forma de proteger a saúde. No entanto, a ideia de autocuidado tem se distorcido, com a pressão estética e as redes sociais fazendo com que cuidar de si pareça uma obrigação, gerando insegurança. O autocuidado, segundo a OMS, é a capacidade de promover a saúde e lidar com doenças, e envolve práticas simples, como respirar ou comer de forma mais saudável. Essas ações são essenciais para viver melhor e afetam positivamente a vida pessoal e profissional. Contudo, as redes sociais muitas vezes distorcem essa prática, mostrando padrões de beleza inatingíveis e gerando preocupações com a imagem corporal. Pesquisas mostram que muitas mulheres sentem pressão para se encaixar nesses padrões, o que pode afetar a saúde mental. O autocuidado deve ser visto como algo que se faz para si mesmo, focando no bem-estar e não na aparência. Cuidar da saúde mental e física é o verdadeiro objetivo do autocuidado, que não se resume ao que é mostrado nas redes sociais.
Nesta quinta-feira (24) é comemorado o Dia Mundial do Autocuidado, data criada pela OMS para reforçar a importância de cuidar do nosso corpo. Seja através de uma alimentação mais saudável ou até mesmo cuidando da nossa mente em casa com sessões de meditação.
O autocuidado é essencial nos dias de hoje, em meio a um mundo cada vez mais industrializado e poluído. No caminho para o trabalho, os carros nos engolem com fumaça; na alimentação, enfrentamos o excesso de produtos ultraprocessados, e até mesmo itens do dia a dia contêm microplásticos.
Criar uma rotina de cuidados com o corpo e a mente é uma forma de resistência — um modo de proteger a saúde diante de tantos fatores que nos afetam sem que a gente perceba.
Porém, atualmente, o autocuidado tem perdido cada vez mais o seu real sentido. Com tanta pressão estética e o uso excessivo das redes sociais, cuidar de si virou quase uma obrigação, e em muitos casos, algo que gera mais insegurança do que bem-estar. A busca por um corpo “perfeito” tem feito muita gente se afastar da ideia mais simples e verdadeira de se cuidar.
**Mas o que é exatamente o autocuidado?**
Antes de nos aprofundarmos no problema atual, é preciso entender o que, de fato, significa autocuidado. A definição apresentada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) esclarece que é “a capacidade de indivíduos, famílias e comunidades para promover a saúde, prevenir doenças, manter a saúde e lidar com doenças e deficiência com ou sem apoio de profissional de saúde”. Ou seja: vai muito além de banhos demorados ou rotinas de skincare.
Diversas práticas se enquadram no autocuidado. Algumas delas envolvem parar por alguns minutos no meio do dia só pra respirar, ou trocar um lanche rápido por uma comida mais nutritiva. Não importa se é algo que você faz todo dia ou só de vez em quando, se ajuda seu corpo ou sua mente a se sentirem melhor, já é um passo importante.
Essas atitudes não devem ser vistas como luxo, e sim como algo básico. Cuidar de si mesmo é essencial para viver melhor, com mais saúde e disposição. Isso faz diferença em tudo, seja no trabalho, nos relacionamentos e até na forma como você lida com os problemas do dia a dia.
**O autocuidado deturpado pelas redes sociais**
Mas hoje em dia, a cultura do autocuidado está cada vez mais frágil, e as redes sociais têm muita culpa nisso. Influenciadores fitness mostram dietas rígidas e corpos, muitas vezes, fora da realidade, o que pode afetar bastante pessoas com problemas emocionais ou que tem uma relação difícil com o próprio corpo.
Mesmo com o autocuidado ganhando espaço nas redes sociais, ele acabou sendo visto como uma competição. Plataformas como Instagram e TikTok mostram padrões de beleza que parecem cada vez mais difíceis de alcançar.
A pesquisadora Koma Bhatia, que estuda imagem corporal e redes sociais, alerta que “plataformas focadas na aparência, investimento em fotos e engajamento com tendências fitness levam a preocupações com a imagem corporal, patologia alimentar desordenada e desfechos de saúde mental”.
O autocuidado passou a ser confundido com beleza por causa deste uso intenso das redes sociais. As pessoas só mostram o lado bom, os melhores ângulos, corpos perfeitos — muitas vezes modificados por filtros ou resultados de dietas ou o uso indiscriminado de medicamentos sem orientação médica.
Uma pesquisa realizada pela PUC-RS mostrou que nove em cada dez mulheres sentem pressão para seguir padrões de beleza. Muitas delas acabam editando suas fotos, mudando principalmente as cores, a saturação e até detalhes pequenos, como manchas, olheiras e textura da pele. Isso reforça ainda mais o quanto as redes sociais aumentaram essa pressão sobre as pessoas.
Segundo o Panorama da Saúde Mental de 2024, 50% dos brasileiros se sentem pouco atraentes, o que prejudica o bem-estar emocional e aumenta o risco de depressão. A pesquisa também mostra que o uso excessivo das redes sociais está ligado a 45% dos casos de ansiedade entre jovens de 15 a 29 anos no país.
Porém, autocuidado não é sobre o que se vê, e sim sobre o que se sente. Nunca foi para alcançar um corpo dos sonhos ou atingir o padrão de beleza ideal, e sim para cuidar da saúde do corpo e da mente.
Por isso, muitos dos benefícios do autocuidado não aparecem nas redes sociais em fotos ou vídeos. Uma boa noite de sono ou uma meditação que acalma a mente são ótimas formas de cuidar de si, mas nem sempre dá para mostrar ou compartilhar estes tipos de práticas.
No fim do dia, o autocuidado é algo que você faz para si, sem se deixar levar pela pressão da beleza ideal. Muitas vezes, corpos que parecem “perfeitos” refletem mais essa pressão do que uma vida realmente saudável. Ser saudável não é sobre aparência, mas sim sobre ter a mente tranquila e o corpo em equilíbrio.
Entre na conversa da comunidade