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Mostra em Salvador revela diálogo entre Pierre Verger e inteligência artificial

Exposição "Fatumbi" no Museu de Arte da Bahia reúne fotografias de Pierre Verger e obras de Emo Medeiros até 30 de novembro

Exposição 'Fatumbi' dedicada à obra do fotógrafo e antropólogo Pierre Verger no Museu de Arte da Bahia (Foto: Reprodução)
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  • A exposição “Fatumbi” no Museu de Arte da Bahia apresenta 110 fotografias de Pierre Verger e 16 obras de Emo Medeiros.
  • A mostra explora a conexão cultural entre Brasil e África e ficará em cartaz até 30 de novembro.
  • Pierre Verger, fotógrafo e antropólogo, chegou ao Brasil em 1947 e estudou as religiões afro-brasileiras, tornando-se um importante pesquisador das trocas culturais.
  • Emo Medeiros, descendente de ex-escravizados, apresenta obras que utilizam inteligência artificial para refletir mundos alternativos.
  • A exposição inclui documentos inéditos do acervo do Instituto Francês da África Negra, destacando a importância do legado de Verger.

A exposição “Fatumbi” no Museu de Arte da Bahia apresenta 110 fotografias de Pierre Verger e 16 obras do artista Emo Medeiros, explorando a conexão cultural entre Brasil e África. A mostra, que ficará em cartaz até 30 de novembro, é parte da Temporada França-Brasil, um projeto que visa fortalecer a cooperação cultural entre os dois países.

Pierre Verger, fotógrafo e antropólogo francês, chegou ao Brasil em 1947 e se dedicou a estudar as religiões afro-brasileiras. Sua jornada começou em Pernambuco, onde notou que os fiéis não compreendiam os cânticos de suas cerimônias. Em busca de respostas, ele se tornou um importante pesquisador das trocas culturais entre Brasil e África, culminando em sua tese na Sorbonne, em 1966.

A exposição destaca a transformação de Verger em Fatumbi, nome que recebeu ao se tornar babalaô no Benim. As imagens retratam não apenas rituais de candomblé e xangô, mas também o cotidiano de comunidades afro-brasileiras. O curador Alex Baradel ressalta que as fotografias de Verger, embora não sejam documentais, possuem uma qualidade antropológica, capturando a essência das celebrações afro-brasileiras.

Emo Medeiros e a Interseção Cultural

Emo Medeiros, descendente de ex-escravizados brasileiros, apresenta 16 imagens que dialogam com as de Verger. Sua curadoria, intitulada “FatumbIA”, utiliza inteligência artificial para criar obras que refletem mundos alternativos, livres da lógica colonial. Medeiros destaca que suas criações representam um passado que também é futuro, onde a natureza e os seres humanos coexistem em harmonia.

A exposição também revela documentos inéditos do acervo do Instituto Francês da África Negra, incluindo uma carta que detalha a bolsa de pesquisa oferecida a Verger. As imagens de Medeiros, resultado de mais de 12 mil tentativas, trazem uma nova perspectiva sobre as influências culturais entre os dois continentes, reforçando a importância do legado de Verger e sua conexão com a cultura afro-brasileira.

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