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Mistério sobre o relicário anatômico de Napoleão Bonaparte

Relíquia do imperador Napoleão, amputada na autópsia, circulou entre colecionadores e hoje permanece em coleção particular, fora do público

Pintura do Napoleão após sua abdicação em Fontainebleau, 4 de abril de 1814, por Paul Delaroche.
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  • Napoleão Bonaparte morreu em cinco de maio de mil oitocentos vinte e um, em Santa Helena, e a autópsia ficou a cargo do médico Francesco Antommarchi.
  • Relatos sugerem que o médico teria retirado partes do corpo, incluindo o pênis, que foi entregue ao padre Abbé Vignali e passou por várias mãos depois.
  • O artefato foi colocado em exibição no início de setenta e vinte e sete no Museu de Artes Francesas, em Nova York, gerando críticas sobre seu estado e tamanho.
  • A peça seguiu em coleções privadas ao longo das décadas e só apareceu em leilões diversos, até ser adquirido, em mil novecentos setenta e quatro, pelo urologista John K. Lattimer; hoje está sob guarda particular em Nova Jersey.
  • A medida do pênis é estimada em cerca de três centímetros e oito milímetros, e há interesse em análises de DNA, mas a proprietária não autoriza exame que possa destruí-la; até hoje apenas dez pessoas já o viram.

Napoleão Bonaparte é alvo de curiosidade histórica há séculos, mas um episódio específico tem gerado curiosidade entre estudiosos e curiosos: o paradeiro e a história do que restou de seu corpo após a morte.

O caso começa na ilha de Santa Helena, em 1821, quando Napoleão morreu aos 51 anos. Um médico realizou a autópsia, e relatos da época indicam que fragmentos foram retirados do corpo sem autorização formal para terceiros.

Segundo registros históricos, o médico Francesco Antommarchi ficou com partes do cadáver, entregues a um padre local. Esses itens viajaram entre combinações de colecionadores e coleções privadas ao longo de décadas, com destinos variados.

Ao longo do tempo, o objeto mais famoso desse conjunto seguiu por várias mãos. Um livreiro de Londres supostamente catalogou o item como um “tendão mumificado” antes de sua venda. Em 1924, um colecionador americano o adquiriu e o levou a exibir em Nova York, no Museu de Artes Francesas, na década de 1920.

A exposição não teve grande impacto público, recebendo descrições críticas de jornalistas. A peça tornou-se símbolo de uma curiosidade histórica popular, especialmente entre leitores que acompanhavam a trajetória de Napoleão.

Após a exibição, o objeto permaneceu sob guarda privada. Ao longo dos anos, circulou em registros de colecionadores, com relatos sobre sua conservação e função como artefato histórico, não como objeto científico ativo.

Na década de 1970, a Coleção Vignali, que reunia esse conjunto, passou a pertencer ao urologista John K. Lattimer, que o manteve em seu acervo particular. Aos poucos foi se consolidando a ideia de preservar a peça em segurança, longe de curiosos.

Hoje, o item está sob a guarda de uma herdeira indicada pela família do colecionador anterior. Ela mantém o objeto em local não aberto ao público, mantendo sigilo sobre detalhes de conservação e exposição.

A história envolve ainda dúvidas sobre autenticidade, documentação histórica e o interesse de instituições em adquirir artefatos de figuras históricas. Pesquisas e documentários já discutiram a trajetória, sem, contudo, confirmar pontos únicos de origem.

Ao longo de décadas, diferentes narrativas surgiram sobre a origem, o transporte e a guarda do artefato. A narrativa cumpre o papel de revisar como objetos históricos ganham dimensão simbólica além do seu valor científico.

Especialistas costumam frisar que o episódio não deve ser entendido como uma curiosidade isolada, mas como parte de um conjunto de relatos sobre a vida e o legado de Napoleão, analisado sob o prisma da história cultural.

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