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Palco e plateia se fundem na estrutura do Oficina, teatro experimental de SP

Oficina mantém tradição de experimentação, mesclando palco e plateia em espaço único, sinalizando transição para a era da moçada desde 2023

Cena da montagem de ‘7 Gatinhos’, de Joana Medeiros
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  • O Oficina, teatro experimental de São Paulo com mais de seis décadas, venceu a categoria teatro experimental no júri da Folha.
  • Desde 2023 não há mais Zé Celso e a companhia migra para a “era da moçada”, com programação mais flexível.
  • A casa tem formato único: não há palco tradicional, apenas uma passarela central e três andaimes que representam o espaço de público, distribuídos para cerca de 350 pessoas.
  • Um cameraman acompanha as encenações, transmitindo imagens para televisores e telões nas paredes do local, que também se abre para o céu em algumas peças.
  • O conjunto já recebeu reconhecimento internacional, como o título de melhor estrutura de teatro do mundo pelo The Guardian em 2015, e mantém sua relação com o legado de Lina Bo Bardi.

O Oficina, teatro de São Paulo com mais de seis décadas de atuação, continua a redefinir o palco experimental. Sem Zé Celso desde 2023, a casa investe na transição para a “era da moçada”, mantendo a experimentação como prioridade.

Fundado em 1958, o grupo nasceu na USP e ganhou forma no espaço da rua Jaceguai em 1961, em um teatro sanduíche criado pelo arquiteto Joaquim Guedes. Ao longo do tempo, passou por reformas, incluindo um incêndio em 1966, e ganhou a forma atual em 1984, sob a visão de Lina Bo Bardi e Edson Elito.

O design único incorpora um palco central entre duas plateias, sem tradicional palco ou cortinas. O público se distribui em três andares de andaimes, com cerca de 350 lugares. Um cameraman registra a encenação para telas espalhadas pelo interior.

A proposta envolve repertório que dialoga com o cinema, a música e a política. Obras históricas de Chico Buarque e Oswald de Andrade já foram encenadas, e recentes produções incluem Montagens de Nelson Rodrigues, como Senhora dos Afogados, e 7 Gatinhos, de Joana Medeiros.

Em 2025, o line-up priorizou peças da dramaturgia brasileira, entre elas Ovo e a Galinha, inspirado em Clarice Lispector, e Contos de Fadas pra Kabeças Dialétikas, com cinco contos de Kafka. A agenda também trouxe apresentações em outros palcos da cidade, mantendo parceria com artistas ligados à fundação.

O Oficina não recebe patrocínio corporativo desde 2016, contando com apoiadores denominados de amantes, que contribuem com valores entre 50 e 10 mil reais por ano. Essa estratégia sustenta a programações flexíveis e a rotatividade de propostas.

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