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Romance expõe o apagamento das mulheres na economia do cuidado não remunerado

'O Peso da Inexistência' é um retrato do colapso da figura feminina diante da precarização do trabalho e da redução do valor humano à mera utilidade econômica

Capa da obra de Amélia Greier
  • O trabalho invisível, principalmente realizado por mulheres, movimenta anualmente US$ 10,8 trilhões globalmente, segundo a Oxfam International.
  • A escritora Amélia Greier, pseudônimo de Carolina Frutuozo, lança seu romance de estreia, “O Peso da Inexistência”, que retrata o colapso da figura feminina diante da precarização do trabalho.
  • A protagonista, sem nome, vive jornadas exaustivas para sustentar três filhos, enquanto seu marido, um engenheiro desempregado, busca reinserção no mercado.
  • O livro critica a desvalorização do cuidado e aborda temas como desigualdade de gênero e exploração laboral, questionando quem tem o direito de “existir”.
  • O enredo se intensifica quando a protagonista recusa uma proposta financeira duvidosa, reafirmando seu valor além de títulos e reconhecimento social.

O trabalho invisível, majoritariamente realizado por mulheres em casa e na economia do cuidado, movimenta anualmente o equivalente a US$ 10,8 trilhões globais, conforme dados da Oxfam International. É no cerne dessa colossal e não reconhecida engrenagem que a escritora Amélia Greier (pseudônimo de Carolina Frutuozo) insere seu romance de estreia, “O Peso da Inexistência” (Editora PodLetras), um retrato do colapso silencioso da figura feminina diante da precarização do trabalho e da redução do valor humano à mera utilidade econômica.

O livro é uma crítica social contundente, abordando a experiência de uma protagonista intencionalmente sem nome, que se vê reduzida a papéis transitórios: a mãe, a doceira, a operadora de caixa, a passeadora de cães. Em um cenário de ficção que espelha a realidade brasileira, a personagem se desdobra em jornadas exaustivas e precárias para sustentar três filhos pequenos, enquanto seu marido, um engenheiro desempregado, luta para se reinserir em um mercado dominado por algoritmos.

A Desvalorização do Cuidado

Greier constrói sua narrativa a partir de gestos ordinários – preparar o café, vender doces, preencher um formulário – que, somados, expõem a desvalorização do cuidado como forma legítima de trabalho. O romance aborda com sensibilidade temas como desigualdade de gênero, exploração laboral e o esgotamento emocional provocado pela submissão a múltiplas funções.

Ao retratar a ausência de tempo para si, a autora questiona as narrativas sociais que definem quem tem o direito de “existir” e quem é condenado ao apagamento fora das estatísticas. O romance é um convite à reflexão sobre o custo humano da produtividade desenfreada e o impacto da automação na dignidade.

A Recusa Ética da Desumanização

O ponto de virada do enredo ocorre quando a protagonista se depara com uma proposta financeira duvidosa, que desafia sua integridade. Sua recusa ética, marcada pela frase “não sou qualquer pessoa”, sintetiza a resistência em aceitar a própria desumanização.

É neste desfecho que o romance desloca o sentido de identidade: a mulher compreende que seu valor não reside em títulos, cargos ou reconhecimento social, mas na sua própria e inegável existência.

Com estrutura realista e linguagem direta, Amélia Greier utiliza uma prosa fluida e poética, permeada por diálogos internos que traduzem com precisão o peso da rotina e da sobrevivência de incontáveis mulheres no país.

Amélia Greier é pseudônimo de Carolina Frutuozo, escritora paulistana radicada em São Carlos (SP). Em 2019, recebeu a medalha Adélia Prado (Academia Feminina Mineira de Letras) e, em 2024, foi finalista do VII Concurso Internacional de Microrrelatos (Museo de La Palabra, Madrid). O romance “O peso da inexistência” nasceu após a autora vencer o 2º Concurso de Contos PodLetras com o texto Pano de Fundo.

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