- A mostra Beyond the Visual, do Henry Moore Institute, é a primeira grande exposição no Reino Unido a centralizar artistas e curadores cegos ou com baixa visão.
- A exposição oferece um “vocabulário de toque” e recursos sensoriais (som, alto contraste) e reúne obras de 16 artistas, com comissões novas de David Johnson.
- O layout foi redesenhado para facilitar a experiência tátil e auditiva, com assentos suficientes, piso texturizado e painéis em amarelo de alto contraste.
- Legendas táteis, Braille e recursos sonoros estão presentes; algumas obras combinam som e movimento, como Rings (2025) de Aaron McPeake e Project Fire Flower de Collin van Uchelen.
- O processo envolveu consultorias com pessoas com diferentes acuidade visual, reforçando a presença de Braille, mais cães-guia e materiais adaptados desde o marketing até a gestão do projeto.
Beyond the Visual: primeira grande mostra no Reino Unido centrada em artistas e curadores cegos ou com baixa visão abre no Henry Moore Institute. A exposição acontece em Leeds e propõe um vocabulário de toque com recursos sensoriais, como som e alto contraste, para ampliar a percepção tátil das obras. A mostra reúne 16 artistas e inclui comissões novas de David Johnson.
O objetivo é reconfigurar a experiência da escultura para quem depende do toque e da audição para perceber as obras. O Henry Moore Institute iniciou o projeto com oficinas de consulta em Tate Modern e em sua própria sede, envolvendo pessoas com diferentes acuidade visuais. O resultado orienta desde a sinalização até o layout do espaço.
A exposição destaca a importância do toque como dimensão estética, expandindo o conceito de percepção. Diversas peças incorporam recursos táteis, sons e sinais de alto contraste para facilitar a leitura sensorial das obras. O projeto também prioriza acessibilidade ao público, com assentos distribuídos e staff treinado para apoiar a visita.
Detalhes da mostra
Entre as obras, estão peças de 16 artistas internacionais, incluindo o britânico Lenka Clayton e Emilie Louise Gossiaux, dos EUA. Alguns trabalhos utilizam som e movimento, como as peças de Aaron McPeake, além de trabalhos que traduzem descrições sonoras em elementos táteis. O acervo também reserva espaço para peças que dialogam com a iluminação e o espaço sonoro.
David Johnson contribui com duas comissões inéditas. Entre elas, Nuggets of Embodiment, que utiliza milhares de biscoitosDigestivos em formato de digestivo, com palavras em braille substituindo marcas. A curadoria enfatiza que a exposição é de cegueira, centrada na experiência humana compartilhada pela falta de visão.
O conjunto da mostra demonstra uma mudança de paradigma: o objetivo é explorar como a percepção envolve todos os sentidos, mudando a maneira como o público lê e entende a escultura. Indícios de cegueira aparecem de forma deliberada, mas o foco permanece na experiência humana.
O que muda no espaço
O layout recebeu ajustes para facilitar a navegação tátil e auditiva. Assentos extras e pisos táteis indicam quando uma obra está ao alcance. As paredes utilizam cores em alto contraste e a sinalização é adaptada para facilitar a leitura por visitantes com baixa visão. O projeto privilegia uma experiência inclusiva sem comprometer a integridade das obras.
A curadoria ressalta que a mostra não trata apenas de acessibilidade, mas de uma forma diferente de hermenêutica da escultura. A proposta é que a experiência sensorial seja comum a todos os visitantes, ampliando o modo de perceber a arte. A exposição permanece em cartaz no Henry Moore Institute, em Leeds.
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