- A mostra Full Earth é a primeira exposição institucional nos Estados Unidos da artista Kat Lyons, na Marquez Art Projects (MAP) em Miami Beach, com obras comissionadas para o espaço.
- A seleção inclui pinturas a óleo em grande formato que dialogam com o Everglades, mesclando ficção e realidade ambiental; a série traz trabalhos inéditos como Double Country (2025).
- O Everglades National Park, tema central, é um ecossistema que funciona como infraestrutura natural, filtrando água e aumentando a resiliência ecológica da região.
- Lyons coloca animais como protagonistas, citando espécies nativas e até primatas introduzidos; a relação com a obra de Marjory Stoneman Douglas é recorrente.
- A artista mudou-se para upstate New York em 2025; a curadoria e a produção enfatizam obras recém-comissionadas e a discussão sobre o que é humano versus não humano.
A poucos minutos de carro do Miami Beach Convention Center, fica o Everglades National Park, um ecossistema protegido de mais de 6 mil km² que atua como infraestrutura natural da região, filtrando água e mitigando cheias. A obra de Kat Lyons, intitulada Full Earth, chega a MAP (Marquez Art Projects) em Miami Beach como sua primeira mostra institucional nos EUA.
A exposição reúne obras encomendadas pelo MAP e marca a estreia da artista norte-americana em solo institucional norte-americano. Lyons mudou-se para o upstate de Nova York em 2025, e a série inclui trabalhos inéditos, como Double Country (2025), cuja origem do título remete a um puxador de cômodo presente em uma peça de mobiliário.
Full Earth utiliza a relação entre o Everglades e a presença humana para investigar categorias de animal e ambiente. Lyons retrata animais nativos e espécies introduzidas, com foco menos em figuras humanas e mais na vida animal, lembrando influências de correntes artísticas diversas. A série dialoga com a literatura de preservação ambiental e com a memória afetiva da artista sobre a região.
A curadoria do MAP enfatiza a novidade: todas as obras são novas encomendas, parte de uma programação que valoriza artistas emergentes. Em entrevista, curadores destacam a questionação sobre o que é humano em relação aos não humanos e como atribuímos valor a cada um.
Segundo a produtora, o ensemble de quadros propõe uma leitura sobre o tempo, a evolução e a tensão entre o dinamismo do mercado de arte e o tempo geológico do ecossistema. Lyons afirma que a Florida simboliza grandes questões ambientais e as mudanças impostas pela intervenção humana no ambiente natural.
A mostra também evidencia a relação pessoal da artista com o tema, cruzando experiências de vida no campo com observações sobre a vida selvagem. Lyons descreve a própria prática como uma fusão entre memória, fantasia e crítica social, sem deixar de manter a leitura analítica sobre a presença humana na paisagem.
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