Em Alta NotíciasConflitosPessoasAcontecimentos internacionaiseconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

17ª Bienal de Cuenca no Equador: tema lúdico, tom sério

Ao completar quarenta anos, a Bienal de Cuenca abre com foco no Sul Global, em meio a turbulência política e críticas a prioridades de mercado

The 17th Bienal de Cuenca was inaugurated by an Andean ritual led by the Ecuadorian artist Carmen Vicente Photo: Mateo Game, courtesy Bienal de Cuenca
0:00
Carregando...
0:00
  • A 17ª Bienal de Cuenca, intitulada The Game, abriu em 24 de outubro, marcando o 40º aniversário do evento, que destaca artistas e curadores do Sul Global diante de agendas do mercado.
  • Realizada em Cuenca, a poucos metros acima do nível do mar, a bienal reúne 51 artistas em 17 curadorias, distribuídos em museus, jardins, aeroporto e espaços municipais.
  • O evento é financiado pela prefeitura de Cuenca, com cerca de $500 mil por edição, e tem dirigido pela atual executiva da Cuenca Biennial Foundation, Hernán Pacurucu, desde 2023, com iniciativas de acesso público como Open Doors e Art Kiosk.
  • O contexto político recente no país, com protestos contra subsídios a diesel e agenda extrativista, levou o presidente Daniel Noboa a decretar estado de emergência em várias províncias, que se encerrou dois dias antes da abertura.
  • Entre as obras premiadas e destacadas estão a instalação Infinite Steps de Carmen Vicente (curadoria de Amy Rosenblum Martín), que homenageia a covid-19 e a vida indígena, e a proposta de 26 mil caranguejos de resina de Darwin Guerrero; o evento também aborda jogos infantis, memória e críticas à produção capitalista.

A 17ª Bienal de Cuenca, intitulada The Game, abriu em 24 de outubro, marcando o 40º aniversário do evento. A mostra chega em meio a debates sobre o papel da arte diante de crises políticas e sociais, propondo um recorte centrado no Global South. Cuenca, cidade andina e patrimônio mundial da UNESCO, acolhe o evento entre montanhas da região de El Cajas, a mais de 2 mil metros de altitude.

O festival é financiado pela prefeitura de Cuenca, que destinou cerca de US$ 500 mil por edição. Um terço do montante fica com operações e equipes. Em 2023, o prefeito nomeou Hernán Pacurucu como diretor executivo da Cuenca Biennial Foundation, impulsionando programas de acesso público e circulação de arte no país.

A edição deste ano, que coincide com o contexto político do país, reúne 17 curadores internacionais e 51 artistas em múltiplos espaços, como museus, jardins, aeroporto, conventos e galerias municipais. Cada curator escolheu três artistas, pelo menos um brasileiro indígena.

Novos caminhos e desafios

Entre as propostas, destaca-se a instalação de Darwin Guerrero, com 26 mil caranguejos de resina em um labirinto que convida à experiência do público. A curadoria de Virginia Roy, de Espanha e México, enfatiza o papel da ludicidade como força política, enfrentando controles institucionais.

A curadoria de Gerardo Mosquera, de Cuba, recebeu o Prêmio de Melhor Equipe Curatorial por La Noche Bella no Deja Dormir, que reúne obras de Sandra Cinto, Rember Yahuarcani e Christian Proaño. A mostra aborda morte e noite como espaços de reflexão, celebrando José Martí sem perder o foco humano.

A programação inclui ainda o vídeo de Francis Alÿs, gravado na Selva Alegre, e desenhos a carvão com fios de prata de Ana Gallardo, com frases escritas por sicários. A obra de Gallardo usa memória de crianças para discutir violência e justiça social, numa leitura crítica ao longo da mostra.

Contexto social e organizacional

O clima político esquentou com a recente onda de protestos liderada pela Confederación de Nacionalidades Indígenas do Equador, desencadeada pela retirada de subsídios aos diesel e pela pauta extractivista do governo. O presidente Daniel Noboa decretou estado de emergência em várias províncias, restringindo aglomerações. Os protestos terminaram dois dias antes da abertura.

Mesmo com a tensão, a Bienal manteve um modelo curatorial ambicioso, promovendo participação de cada curador como ator ativo. Roy propôs uma experiência de autoafirmação, buscando autonomia frente a estruturas institucionais. O tom é de reflexão sobre identidades, políticas e ecologias regionais.

Desafios logísticos e recepção inicial

A abertura gerou críticas sobre organização, falta de mapas e sites desatualizados, o que dificultou a circulação de visitantes. Em alguns casos, curadores deslocaram-se a Loja para conferências, reduzindo o tempo de interação com obras já instaladas.

Alguns artistas relataram que o tempo de diálogo com curadores ficou aquém do esperado durante o fim de semana de abertura. A organização sinaliza que ajustes poderão ocorrer nas edições futuras para ampliar a comunicação entre artistas, curadores e público.

Panorama regional e futuro da cena

No seu conjunto, a Bienal aponta para uma agenda de visibilidade internacional da arte contemporânea equatoriana. Guayaquil prepara novos espaços como o Eacheve Foundation Museum, com abertura prevista para o outono de 2026, e Quito Design Week, ampliando o alcance regional.

Apesar dos entraves, The Game reforça a presença de propostas emergentes e consolidadas da região, com foco em temas sociais, políticos e espirituais. A edição deste ano confirma Cuenca como o principal polo de arte internacional do país, mesmo em contexto de turbulência.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais