- Michael Löwy lançou Franz Kafka: Sonhador Insubmisso, uma coletânea com oito ensaios sobre Kafka, incluindo sua correspondência, diários e ficções.
- O livro analisa como Kafka dialoga com energias políticas de sua época e investiga possíveis inspirações anarquistas.
- Entre as referências citadas, destacam-se As Chamas (Fráňa Šrámek) e a revista Prosperidade Para Todos (Rudolf Grossmann), associadas a leituras libertárias.
- Löwy comenta os livros favoritos de Kafka, começando por Memórias de Um Revolucionário, de Kropotkin, seguida de Memórias de Uma Socialista, de Lily Braun.
- O autor revelou que Kafka leu Braun durante a escrita de O Processo e chegou a enviar exemplares para Felice Bauer; a obra enfatiza a admiração por pessoas que escolhem seu próprio caminho, sem se submeter a convenções.
Michael Löwy, filósofo conhecido por seus estudos sobre Walter Benjamin, dedica alguns anos a Franz Kafka. O resultado é Franz Kafka: Sonhador Insubmisso, uma coletânea com oito ensaios que revisita a obra e a vida do autor tcheco.
O pesquisador analisa a correspondência, os diários e as ficções de Kafka, fundamentando a leitura em testemunhos de contemporâneos e na vasta fortuna crítica. O objetivo é identificar sinais de uma filiação revolucionária no pensamento do escritor.
Além disso, Löwy observa influências políticas presentes na obra de Kafka, buscando indicar como as energias de seu tempo se refletem em seus textos. O estudo envolve ainda referências a leituras favoritas do escritor.
Leituras favoritas de Kafka
Entre as obras analisadas, Löwy destaca exemplares que Kafka possuía ou apreciava. A coleção As Chamas, de Fráňa Šrámek, e edições da revista Prosperidade Para Todos, de Rudolf Grossmann, aparecem como indicativos de leitura libertária.
O pesquisador dedica atenção às Memórias de Um Revolucionário (1899), de Kropotkin, e às Memórias de Uma Socialista (1908), de Lily Braun. Kafka lê Braun durante a escrita de O Processo, em 1914, e envia o livro à noiva Felice Bauer.
Segundo Löwy, o interesse de Kafka por Braun evidencia uma cumplicidade com mulheres que escolhem o caminho próprio, desafiando convenções. O estudo também aponta a recusa de Kafka à “moral mentirosa” da burguesia e a firme decisão de não aceitar dogmas impostos.
Publicado na edição n° 1395 de CartaCapital, em 14 de janeiro de 2026.
Este texto integra a edição impressa de CartaCapital sob o título A biblioteca de Franz Kafka
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