- A exposição Café Society: Art and Sociability in Belle Epoque Paris estreia no Ordrupgaard, nos arredores de Copenhague, de 6 de fevereiro a 31 de maio, antes de seguir para os Estados Unidos.
- Em Memphis, Tennessee, ficará de 18 de junho a 6 de setembro, e em Omaha, Nebraska, de 26 de setembro a 17 de janeiro de 2027.
- Na mostra de Dinamarca, há três quadros de Van Gogh sobre cafés parisienses; uma das pinturas europeias não viajará aos EUA.
- Restaurant Rispal at Asnières ficará apenas em Omaha; o quadro não vai a Memphis por motivos de exibição relacionados ao World Cup de futebol naquela cidade.
- A exposição destaca a vida social dos cafés de Paris no fim do século dezenove, com obras de artistas como Renoir, Degas, Manet, Munch, Picasso e Toulouse-Lautrec, entre outros.
Van Gogh e a cultura do café são o eixo de uma exposição itinerante que estreia na Dinamarca e segue para os Estados Unidos. Em Paris no fim do século XIX, cafés eram espaços de convívio, alimentação e entretenimento, além de pontos de encontro entre artistas.
A mostra Café Society: Arte e sociabilidade na Belle Époque emula esse universo com mais de 50 telas de diversos artistas da época. O primeiro destino é o museu Ordrupgaard, nos arredores de Copenhague, entre 6 de fevereiro e 31 de maio.
A viagem segue para Memphis, no Tennessee, no Dixon Gallery and Gardens (18 de junho a 6 de setembro), e encerra em Omaha, no Joslyn Art Museum (26 de setembro a 17 de janeiro de 2027).
Obras de Van Gogh e seus cafés
Na Dinamarca, a exposição apresenta três pinturas de Van Gogh vinculadas a cafés parisienses. Duas obras, vindas de museus europeus, não irão aos EUA. A única peça de Van Gogh que viajará para Omaha é Restaurant Rispal at Asnières, vindo do Nelson-Atkins Museum de Kansas City.
La Guinguette à Montmartre, de outubro de 1886, retrata um estabelecimento próximo ao apartamento de Theo em Rue Lepic. O termo guinguette descreve um café simples ao ar livre, em Montmartre ainda semi-rural na época.
O que se sabe sobre os locais
A localização exata da guinguette de Van Gogh é incerta, mas La Bonne Franquette, na Rue des Saules, é apontada por alguns como provável. Um painel moderno na fachada recorda o passado artístico do local, associado a nomes como Pissarro, Cezanne, Toulouse-Lautrec, Renoir e Monet.
Restaurant Rispal at Asnières mostra o restaurante de tirar as margens do Sena, possivelmente perto do Pont de Clichy, no entorno de Asnières. A obra é a maior entre as telas de Van Gogh sobre esse cenário, pintada entre maio e junho de 1887 durante jornadas de trabalho com o amigo Paul Signac.
Conexões e relatos de colegas
Signac recorda que Van Gogh pintava nas margens do rio, fazia pausas em uma guinguette e retornava a pé a Paris, carregando a tela recém-pintada. Outra lembrança descreve o artista em cafés, com absinto e brandy fluindo após o fim de cada dia.
In the Café: Agostina Segatori in Le Tambourin, de 1887, retrata a proprietária no interior de um bar de Montmartre, com tabuleiros em formato de tambor e uma cena de convivência entre artistas. A obra revela também a presença de obras de arte japonesas na decoração, possivelmente lançadas por Van Gogh.
Outras obras e temas da mostra
Moulin de la Galette, de Toulouse-Lautrec (1889), mostra clientes no café e salão de dança no alto de Montmartre, região a poucos minutos da residência de Van Gogh. A exposição também inclui trabalhos de Renoir, Degas, Manet, Munch, Whistler, Vuillard, Utrillo e Picasso, entre outros.
Segundo o catálogo, a variedade de frequentadores de cafés parisienses era grande: artistas, músicos, escritores, dançarinos, trabalhadores e intelectuais. Os espaços eram elo de sociabilidade e debate, descritos como primeiras redes sociais da época.
Sobre a curadoria e o contexto
Martin Bailey, especialista em Van Gogh, atua como correspondente especial do The Art Newspaper. Entre outras instituições, já organizou mostras no Barbican, National Gallery of Scotland e Tate Britain, contribuindo para a contextualização histórica da vida no cafés de Paris.
A mostra Café Society ressalta que os cafés da Belle Époque funcionavam como centros de encontro, criativos e sociáveis, em que a vida cultural da cidade era nutrida pelo convívio diário.
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