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Retrospectiva de Geles Cabrera em Cidade do México celebra centenário

Retrospectiva de Geles Cabrera no Museo del Palacio de Bellas Artes confirma reconhecimento institucional ao centenário da pioneira escultora mexicana

The exhibition traces Cabrera’s treatment of the human figure, space and movement over 70 years, working with materials like volcanic stone, terracotta and bronze. During Art Week, a dance performance accompanies the show Gerardo Landa/Eduardo López; courtesy Museo del Palacio de Bellas Artes
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  • Retrospectiva de Geles Cabrera no Museo del Palacio de Bellas Artes celebra o centésimo aniversário da artista mexicana, reconhecendo-a como uma das primeiras escultoras modernas do país.
  • A mostra, que percorre sete décadas, destaca a abordagem fluida da figura humana, espaço e movimento, com materiais como pedra vulcânica, terracota e plexiglass.
  • A exposição acompanha a entrega da Medalha Bellas Artes em 2024, o maior reconhecimento artístico do México, e inclui quase 100 obras, além de fotografias de arquivo.
  • A curadoria destaca a trajetória de Cabrera desde a formação radical até a prática marcada pelo corpo, erotismo e ritmo, influenciada por encontros com arquitetos e movimentos avant-garde.
  • Durante a Semana de Arte, 50 bailarinos sob a direção de Diego Vega apresentam uma performance inspirada na mostra, em galerias selecionadas e na grande escadaria, nos dias 5 a 7 de fevereiro, ao meio‑dia.

The Museo del Palacio de Bellas Artes recebe a retrospectiva de Geles Cabrera, realizada para marcar o centenário da artista mexicana. A mostra reúne quase 100 obras ao longo de sete décadas, destacando a abordagem da escultora sobre o corpo, o espaço e o movimento. O interesse institucional acompanha a entrega da Medalha Bellas Artes de 2024, na área das Artes Visuais.

A exposição organiza o acervo de forma temática, evidenciando a fluidez da figura humana e a experimentação com materiais como pedra vulcânica, terracota e plexiglass. O curador Joshua Dalí Sánchez González afirma que o conjunto está disposto em uma linguagem coreografada, por vezes cerimonial.

Cabrera, que completa 100 anos neste ano, formou-se num contexto pós-revolucionário em que o muralismo dominava. O foco da formação foi o potencial expressivo do corpo, rompendo com o cânone masculino da escultura da época, conforme comenta o curador.

Legado e curadoria

A trajetória da artista também dialoga com a vanguarda, incluindo a colaboração com o arquiteto Alfonso Pallares, que integrou dança, cor e forma em seus workshop. A mostra destaca esse dinamismo na representação do erotismo e da movimentação, presente especialmente nas fases de 1940 e 1950.

Além das peças em pedra, a exposição traz a série em terracota dos anos 1980, com influências do modernismo ocidental, de expressões mesoamericanas e afro-caribenhas, além de uma busca espiritual. Peças em bronze em menor escala revelam posições do corpo que exibem erotismo, intimidade e vulnerabilidade.

Entre os destaques, há trabalhos em madeira e alumínio e registros fotográficos de uma instalação pública de Tabasco nos anos 1970, criada com Ángela Gurría e Mathias Goeritz. Cabrera também dirigiu, entre 1966 e os anos 1990, o Museo Escultórico, em Coyoacán, com mais de 50 obras exibidas em um jardim de esculturas.

Art Week e performance

A retrospectiva é acompanhada por uma intervenção performática durante a Art Week, com 50 alunas de dança sob a direção de Diego Vega. A apresentação, inspirada na mostra, ocorre em galerias e no saguão principal entre 5 e 7 de fevereiro, ao meio-dia.

A iniciativa reforça a atuação de Cabrera como organizadora cultural, em uma linha que remete a espaços de referência como Anahuacalli e Casa Azul. A montagem atual também incorpora obras de artistas contemporâneas, como Paula Cortazar e Madeline Jiménez.

Geles Cabrera teve sua primeira mostra individual em 1949, na galeria Mont-Orendáin, em Cidade do México. O reconhecimento amplo veio décadas depois, incluindo a redescoberta promovida por Pedro Reyes em 2018 e a participação de representantes como Agustina Ferreyra, que ajudaram a ampliar o circuito de exibição da artista. A exposição fica em cartaz até 5 de abril.

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