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Manipulação de imagens sempre existiu: 10 fakes fotográficos que enganam o olhar

Exposição revela que manipulações históricas de imagens já enganavam o público; o debate atual envolve IA e deepfakes modernos

Black-and-white vintage photo montage of two vehicles colliding and appearing to be thrown upwards out of of the car (Credit: Courtesy of the Rijksmuseum)
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  • Exposição Fake! no Rijksmuseum apresenta imagens entre 1860 e 1940 que mostram que a manipulação de fotos é antiga e, às vezes, até útil para a comunicação.
  • Técnicas usadas vão de recortes e colagens a montagem de negativos, criando cenas impossíveis e sugerindo verdades não contadas.
  • Entre os exemplos estão obras como Daydream (1870–1890) e montagens com carros voando, cabeças deslocadas e outras ilusões visuais.
  • Muitas peças foram produzidas para diversão, publicidade ou para explorar a relação entre ficção e fato, antecipando movimentos como o Surrealismo.
  • A curadoria aponta que a manipulação faz parte da história da fotografia e pode revelar questionamentos sobre o que vemos, em vez de apenas enganar.

A exposição Fake! Fake Early Photo Collages and Photomontages, em cartaz no Rijksmuseum, reexamina a ideia de que as fotografias dizem a verdade. Ela destaca imagens criadas entre 1860 e 1940 que enganaram o observador, mostrando que a manipulação visual não é novidade.

A curadoria, liderada por Hans Rooseboom, sustenta que a manipulação sempre existiu desde os primeiros dias da fotografia. A mostra reúne dez imagens que vão do recorte simples a montagens complexas, explorando como a era analógica já brincava com o real e o imaginário.

Contexto histórico e técnicas

Entre as peças, há exemplos de truques de quarto escuro, uso de ilustrações independentes e retablos que criavam ilusões de movimento, escala ou presença. A curadora ressalta que a manipulação pode ter valor histórico quando bem utilizada, inclusive como ferramenta criativa.

A exposição também aborda o papel da fotografia na publicidade e na arte do século 20, onde imagens de ficção viam-se associadas a mensagens comerciais. Rooseboom descreve o fenômeno como um diálogo entre o que é crível e o que é improvável.

Destaques breves

1. Dia de sonho (c. 1870–1890): uma mulher e o parceiro aparecem com ferramentas de trabalho, enquanto nasce o desejo de maternidade, resultado de um truque de câmara.

2. Homem assustado com seu próprio reflexo (c. 1870–1880): a imagem é construída em duas exposições consecutivas, criando a ilusão de um encontro com um fantasma.

3. Decapitação (c. 1880–1900): montagem em cartão de fita cassete, com sinais sutis de retoque e posicionamento de cortina para ocultar a cabeça real.

4. Fotomontagem de homem empurrando uma carroça com uma cabeça (c. 1900–1910): uso de duas negativas para criar uma cena improvável, antecipando movimentos surrealistas.

5. Levantamento de geese para o mercado (1909): edição que amplifica proporções para fins artísticos e mercadológicos.

6. Carro flutuando sobre Mulberry Bend Park, Nova York (1908): visão de futuro com carros aéreos, impressa em cores.

7. Colagem de 1929 de Albert Huyot: fragmentos reorganizados para criar formas novas, influenciadas por Dada e Cubismo.

8. Colisão de carro com uma compactadora (1915): imagem humorística que busca entreter, não enganar, segundo o catálogo.

9. Colagem fotográfica (1929): prática popular na época para quizzes visuais e experimentos de artistas.

10. Mimicry (1934): John Heartfield denuncia a propaganda nazista ao mostrar Goebbels disfarçando Hitler como Marx.

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