- Duas exposições na Europa conectam Edvard Munch a mulheres artistas: Paula Modersohn-Becker no Albertinum, Dresden, a partir de fevereiro, e Maria Lassnig na Hamburger Kunsthalle a partir de março (e em outubro no Kunsthaus Zürich).
- O objetivo é mostrar como o cânon artístico pode ser expandido, diferenciado e subvertido por meio de pares com artistas femininas.
- Griselda Pollock, em 1999, argumentava que não basta “adicionar mulheres ao cânon”; é preciso uma nova forma de pensar a história da arte para não reforçar a dominação masculina.
- Modersohn-Becker é reconhecida recentemente por sua importância no expressionismo alemão, recebendo maior destaque em mostras como a do Royal Academy de 2022 e no Art Institute of Chicago, em 2024.
- Lassnig, cuja pintura figurativa é considerada uma contribuição singular ao final do século XX, teve sua primeira mostra pública no Reino Unido em 2008 e no MoMA PS1, em Nova York, em 2014.
A expansão do cânon tem ganhado espaço em museus da Europa e dos EUA, buscando novas vozes. Duas mostras em semanas próximas unem Edvard Munch a artistas mulheres para testar até onde o cânon pode ser problematizado.
A ideia é não apenas acrescentar nomes, mas diferenciar a leitura histórica. Filiada a debates de Griselda Pollock, a proposta questiona estruturas de poder presentes na história da arte.
Contexto teórico
Pollock sustenta que simplesmente “incluir mulheres” não basta; é preciso mudar o modo de escrever a história da arte para evitar reforçar a masculinidade dominante. A prática propõe novas formas de enxergar.
Exposições em cartaz
Em Dresden, no Albertinum, fica em cartaz Paula Modersohn-Becker e Edvard Munch: The Big Questions of Life, aberto desde fevereiro. A mostra enfatiza temas vitais como rites de passagem, sexo e papéis de gênero.
Em Hamburgo, a exposição Maria Lassnig e Edvard Munch: Flow of Paint = Flow of Life abre em 27 de março e segue até 30 de agosto. A curadoria ressalta o diálogo entre as obras e a visão de Lassnig sobre Munch.
Diálogo entre artistas
Modersohn-Becker integra um dos pilares da expressãoismo alemão, ganhando reconhecimento tardio. Lassnig, por sua vez, consolida a contribuição da figura feminina na arte figurativa do fim do século XX.
Ambas as mostras reforçam que a presença de mulheres artistas pode subverter a leitura tradicional de Munch, ampliando o entendimento sobre vida, figuração e percepção estética.
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