- Exposições comemorativas de cinquenta anos de Nara Roesler devem ocorrer em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York, com a abertura da primeira mostra no dia 31 de março na galeria de São Paulo, focada em artistas nordestinos.
- A curadoria é de Moacir dos Anjos; integram o conjunto obras de nomes históricos como Emanoel Araújo, Francisco Brennand, Guita Charifk, Gilvan Samico e José Barbosa, além de trabalhos de artistas hoje representados pela galerista, como Jonathas de Andrade, José Patrício, Marcelo Silveira e Paulo Bruscky.
- Nara Roesler cresceu em Recife e acredita que trabalhar com arte envolve mediar mundos, não apenas intermediar obras; inaugurou, em 1976, a primeira exposição na Gatsby Arte, intitulada “O desenho em Pernambuco”.
- O encontro com José Cláudio da Silva foi decisivo para a convicção de atuar como tradutora de contextos, ao ver na pintura expressionista nordestina um realismo que retratava o cotidiano de pessoas comuns.
- A proposta de sua carreira é criar pontes entre o artista e o público, traduzir contextos e construir trajetórias que resistem ao tempo, reconhecendo a responsabilidade de mediadora e observando o mercado de arte como campo sensível às mudanças.
A medida de cinquenta anos de Nara Roesler no mundo da arte é lembrada neste ano por exposições que remontam sua trajetória. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York, séries celebram a permanência de uma construção de longo prazo em um campo sensível às mudanças de contexto.
A primeira mostra, aberta em 31 de março na galeria de São Paulo, prioriza artistas nordestinos com quem Nara estabeleceu fortes vínculos. A curadoria é de Moacir dos Anjos, pernambucano, e inclui obras de José Cláudio da Silva, cuja prática a inspirou a investir na função de galerista.
Haverá ainda peças históricas de artistas com os quais Nara trabalhou, como Emanoel Araújo, Francisco Brennand, Guita Charifk, Gilvan Samico e José Barbosa, além de obras dos artistas que a atual representação acompanha, como Jonathas de Andrade, José Patrício, Marcelo Silveira e Paulo Bruscky.
A origem de uma vocação
A curiosidade pela arte nasceu em uma casa despojada de formalidades, onde se discutia literatura, política, medicina e artes visuais. O avô dirigia a escola de Belas Artes; a mãe colecionava; o pai promovia saraus aos fins de semana.
Essa convivência constante com mundos diversos criou a base para uma visão de galerista como tradutora de contextos. A partir dessa percepção, a prática ganhou foco e método ao longo dos anos.
Aos 23 anos, Nara conheceu José Cláudio da Silva, então em busca de quem representasse sua obra. Ela preparou sua atuação vendendo quadros em Recife, na casa, antes de abrir uma loja de design chamada Gatsby.
Do encanto à estratégia
Sem marketing elaborado, ela apostou no potencial simbólico da obra de José Cláudio, cuja temática retrata o cotidiano nordestino com realismo marcante. Esse engajamento ajudou a consolidar a ideia de que a galerista deve construir pontes entre artista e público.
A partir de 1976, Nara inaugurou na Gatsby Arte a primeira mostra, uma coletiva chamada O desenho em Pernambuco. Desde então, afirma manter a responsabilidade de traduzir visões e sustentar trajetórias que resistem ao tempo.
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