Na noite da última segunda-feira (13), o Copacabana Palace recebeu a edição 2026 do Guia Michelin Rio de Janeiro e São Paulo, que marcou um feito inédito na América Latina: pela primeira vez, dois restaurantes foram condecorados com três estrelas na região. Os premiados foram os paulistanos Tuju e Evvai. Além disso, mais um restaurante […]
Na noite da última segunda-feira (13), o Copacabana Palace recebeu a edição 2026 do Guia Michelin Rio de Janeiro e São Paulo, que marcou um feito inédito na América Latina: pela primeira vez, dois restaurantes foram condecorados com três estrelas na região. Os premiados foram os paulistanos Tuju e Evvai.
Além disso, mais um restaurante com uma estrela Michelin foi adicionado à lista: o carioca Madame Olympe, elevando para 19 o total de restaurantes com uma estrela no país.
As estrelas Michelin são concedidas pelo Guia Michelin, a referência gastronômica mais prestigiada do mundo, e reconhecem a qualidade de restaurantes a partir de um critério central: o quanto vale a pena visitar aquele lugar para comer ali.
Conheça os dois restaurantes com 3 estrelas Michelin do Brasil
Evvai
Com pratos assinados pelo chef Luiz Filipe Souza, o restaurante mistura as culinárias brasileira e italiana. O próprio guia destaca sua habilidade no controle da temperatura dos pratos, apontada como mais um diferencial da experiência.
O foco principal está na cozinha oriundi, ligada aos imigrantes italianos, que justamente propõe a fusão entre as culinárias dos dois países em uma proposta de alta gastronomia. O trabalho também valoriza produtores locais e tradições moldadas pelas grandes ondas de imigração italiana no Brasil.
O carro-chefe do restaurante é o menu degustação que, de acordo com informações do g1, custa R$1.150, com opções adicionais de queijos por R$79 e caviar por R$390.
Tuju
Comandado pelo chef Ivan Ralston, o restaurante, localizado no Jardim Paulistano, tem como foco uma cozinha sazonal, conectada ao território e à cultura de São Paulo. A proposta também se apoia em uma pesquisa intensa sobre ingredientes de cercania, ou seja, produtos próximos, ligados à região e ao momento ideal de colheita.
Além disso, o restaurante conta com cozinha aberta no centro do salão principal, cercada por mesas, o que transforma o preparo dos pratos em parte da experiência. A proposta também aproveita os diferentes andares do imóvel para criar uma imersão maior: começa com aperitivos no pátio, passa pela adega, segue para as etapas principais no segundo andar, onde fica a cozinha, e termina no terceiro e último piso.
Assim como no Evvai, a experiência gastronômica é apresentada por meio de um menu degustação de R$1.500, com 10 etapas divididas em quatro períodos: Umidade, Chuva, Seca e Ventania. O percurso também pode ser acompanhado por harmonização com vinhos.
Restaurante carioca ganha sua primeira estrela Michelin
Além das inéditas três estrelas Michelin na América Latina, mais um restaurante brasileiro passou a integrar a prestigiada lista de uma estrela do guia, que agora reúne 19 casas reconhecidas no país.
O Madame Olympe, localizado no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, é comandado pelos chefs Claude Troisgros e Jéssica Trindade.
O local aposta em uma cozinha que celebra a gastronomia como forma de arte, com atenção especial à assinatura dos chefs nos pratos e valorização da sazonalidade, em uma proposta que une tradição e contemporaneidade.
A experiência principal é um menu degustação com duas opções. Hoje, no site oficial, o restaurante oferece um percurso de 8 etapas por R$540 e outro de 4 etapas por R$440, com harmonização opcional de R$420 e R$280, respectivamente.
Três restaurantes são reconhecidos com a estrela verde.
Nesta mesma edição, o guia também concedeu a estrela verde a outros três restaurantes, selo que reconhece casas que se destacam por uma gastronomia mais sustentável.
Ela não substitui as estrelas tradicionais da cozinha, mas funciona como um reconhecimento complementar para casas que unem boa comida a compromissos ambientais.
As três casas reconhecidas foram as mesmas do ano passado: A Casa do Porco, Corrutela e Tuju.
A Casa do Porco recebeu a estrela por controlar toda a cadeia do alimento, do campo à mesa, com criação própria de porcos brasileiros, criados soltos e manejados com técnicas sustentáveis.
O Corrutela recebeu o reconhecimento por trabalhar com produtos orgânicos de produtores locais, usar peixes e carnes de origem sustentável e ainda produzir a própria farinha em moinho próprio.
Já o Tuju, que recebeu atenção em dobro na noite, foi reconhecido por adotar práticas como reciclagem, reaproveitamento da água da chuva e compostagem, além de trabalhar com ingredientes sazonais de pequenos produtores locais, sobretudo do estado de São Paulo.
Confira a lista completa dos restaurantes com estrela Michelin no Brasil
Três Estrelas (2)
- Tuju (SP)
- Evvai (SP)
Duas estrelas (3)
- D.O.M (SP)
- Oro (RJ)
- Lasai (RJ)
Uma estrela (19)
- Kinoshita (SP)
- Oizumi Sushi (SP)
- Kazuo (SP)
- Kuro (SP)
- Ryo gastronomia (SP)
- Picchi (SP)
- Murakami (SP)
- Kan Suke (SP)
- Fame Osteria (SP)
- Tangará Jean-Georges (SP)
- Kanoe (SP)
- Maní (SP)
- Jun Sakamoto (SP)
- San Omakase (RJ)
- Madame Olympe (RJ)
- Oseille (RJ)
- Casa 201 (RJ)
- Oteque (RJ)
- Mee (RJ)
O que são e como funcionam as estrelas Michelin
A estrela Michelin é a principal distinção do Guia Michelin, criado pela fabricante de pneus de mesmo nome para avaliar a qualidade de restaurantes ao redor do mundo.
Hoje, ela funciona como um selo internacional de excelência gastronômica dado aos restaurantes, e não a chefs individualmente. A avaliação considera apenas o que chega ao prato, sem levar em conta o luxo do salão, a decoração ou o estilo do serviço.
O guia nasceu em 1900, criado pelos irmãos André e Édouard Michelin para ajudar motoristas e incentivar viagens. As estrelas para restaurantes surgiram depois, em 1926, e a escala de uma, duas e três estrelas foi consolidada cinco anos mais tarde.
A categorização das estrelas funciona da seguinte forma:
- 1 Estrela (Restaurante requintado): Uma cozinha de alta qualidade. Vale a pena parar durante uma viagem.
- 2 Estrelas (Restaurante excelente): Refeições excepcionais. Vale a pena fazer um desvio na rota.
- 3 Estrelas (Restaurante único): O mais alto nível culinário. Vale a pena uma viagem especial.
A concessão das estrelas é feita por inspetores anônimos do Michelin, profissionais da área de hospitalidade e gastronomia. Eles visitam os restaurantes em diferentes momentos ao longo do tempo, e a decisão final é coletiva, não fica nas mãos de um único avaliador.
As estrelas são reavaliadas todos os anos, por isso um restaurante pode ganhar, manter, subir ou até perder a distinção, de acordo com o nível da cozinha apresentado ao longo do tempo.
Os inspetores usam cinco critérios universais:
- Qualidade dos ingredientes: Ingredientes de alta qualidade.
- Domínio de técnicas: Maestria no sabor e nas técnicas culinárias.
- Personalidade do chef: A assinatura e criatividade do chef nos pratos.
- Relação de qualidade e preço: O valor oferecido pelo custo da refeição.
- Consistência: A qualidade deve ser a mesma ao longo do tempo.
Também é importante entender que não se trata de um concurso com inscrição obrigatória, já que a curadoria fica a cargo da própria Michelin, que monitora e revisita restaurantes por conta própria, embora os estabelecimentos possam pedir para ser considerados em edições futuras.
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