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10 imagens íntimas de Paris decadente dos anos 1930

Brassaï imortaliza a vida noturna de Paris na década de 1930, registrando milieux marginalizados e redefinindo a visão da cidade

Estate Brassai/ Succession Philippe Ribeyrolles copy
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  • Brassaï, nascido Gyula Halász, chegou a Paris em 1924 e passou a registrar a vida noturna da cidade entre guerras, incluindo bordéis, bares gays e ruas de Montmartre, sem julgamento.
  • Publicou Paris de Nuit, em 1933, que lhe rendeu fama imediata; após a Segunda Guerra, censuras atrasaram novas publicações, culminando em 1976 com Le Paris Secret des Années 30.
  • As imagens vão além de registros estéticos, buscando revelar verdades do noctívago parisiense, unindo mundos marginalizados a salões boêmios.
  • Entre as fotos icônicas estão a Torre Eiffel iluminada (1931), as Degrações de Montmartre (c. 1937), o casal apaixonado em café (c. 1932/1970), Fat Claude no Monocle e o casal Bijou no Bar de la Lune (c. 1932).
  • A curadora Anna Tellgren destaca que Brassaï documenta a vida queer e o lado subterrâneo de Paris, oferecendo uma visão histórica de um período que seria perdido.

Brassaï, fotógrafo húngaro que viveu em Paris, revelou nas décadas entre guerras um retrato noturno da cidade sem tabus. A mostra Brassaï: The Secret Signs of Paris estreou no Moderna Museet, em Estocolmo, destacando imagens de bares, bordéis e ruelas que marcaram a Paris da época. O conjunto busca mostrar o lado mais reservado da vida noturna da capital francesa.

A exposição reúne fotos que vão além das icônicas vistas de cafés, Notre Dame e Montmartre. A curadora Anna Tellgren ressalta que Brassaï viveu entre os extremos da cidade, caminhando entre salões exclusivos e bairros marginais para registrar rostos, gestos e cenas que ajudam a compreender o cotidiano de um período de grande transformação social.

Contexto e foco da mostra

Originário de Brassó, hoje Brașov, na Transilvânia, Brassaï chegou a Paris em 1924 e passou a explorar o noctívago universo parisiense. Seu trabalho de documentação não se limitou a registros estéticos, mas procurou capturar estados de ser, desejos e deslocamentos urbanos, segundo a curadora. A produção de Paris de Nuit, publicada em 1933, elevou o fotógrafo ao status de referência.

A retrospectiva destaca ainda a mudança de circulação de suas imagens ao longo do tempo. Após a Segunda Guerra, a publicação de fotos mais íntimas sofreu censura, com novas obras surgindo apenas em 1976, em Le Paris Secret des Années 30. O material apresentado oferece visão de uma cidade em transformação e de um artista que atravessou classes sociais para observar a vida noturna.

Destaques da seleção

Entre os destaques estão cenas de Montmartre, cafés do quarteirão de Italie e salas de baile, além de registros de clubes lésbicos e de moradores de ruas. As imagens, muitas vezes encenadas, revelam técnicas de fotografia noturna, como longas exposições e trabalho de revelação cuidadoso no laboratório, conforme relatos de familiares do fotógrafo. A curadoria enfatiza a relação de Brassaï com as pessoas retratadas, que aceitavam o registro mediante aproximação prévia e diálogo com o artista.

A mostra também aborda contextos específicos, como a presença de figuras famosas da vida boêmia e a circulação de imagética que questiona normas sociais da época. O conjunto oferece, ainda, visão de um Paris que alternava entre glamour de salões e vivências em espaços marginalizados, sem juízo de valor.

Informações finais

Brassaï: The Secret Signs of Paris permanece em cartaz no Moderna Museet, em Estocolmo, até 4 de setembro. A mostra reúne uma seleção de imagens que compõem uma visão ampla da obra do fotógrafo, destacando a abordagem de Brassaï para capturar a cidade em um período histórico de grande efervescência cultural.

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