- O artista francês Ememem, também conhecido como Em ou “poeta da calçada”, transforma fissuras de calçadas e bueiros em mosaicos coloridos com cerâmicas reaproveitadas.
- A prática, chamada de flacking, nasceu em 2016 após ele tropeçar em um buraco na calçada e não segue um planejamento prévio de locais.
- Ememem já realizou intervenções em cidades como Lyon, Paris, Madri, Turim, Oslo e diversas localidades dos Estados Unidos, mantendo o anonimato como parte de sua identidade.
- O flacking mescla referências como o kintsugi e a filosofia do faça você mesmo, usando restos de azulejos, cerâmica quebrada e vidro, e as obras são feitas principalmente à noite.
- Para o artista, o trabalho é resistência suave, poesia urbana e presente para a cidade, com assinatura usada apenas para quem lê entre as linhas do concreto.
Ememem, artista francês conhecido pelo anonimato, ganhou notoriedade após um tropeço em 2016. A partir de um buraco na calçada, ele criou a primeira intervenção com azulejos, dando origem ao que chamou de flacking, prática de colorir fissuras urbanas.
Flacking consiste em preencher pequenas trincas de calçadas ou asfalto com restos de cerâmica, vidro e azulejos, transformando imperfeições em arte colorida. A técnica une estética e transformação do espaço público.
O trabalho ganhou prática internacional, com intervenções em Paris, Madri, Turim, Oslo e cidades dos Estados Unidos, além de Lyon, onde ele vive. A escolha dos locais surge da espontaneidade, não de planejamento prévio.
Ememem define o flacking como mistura de kintsugi, que realça quebras, com uma lógica de faça você mesmo. Ele utiliza materiais reaproveitados e não compra insumos, preservando o caráter itinerante e acessível da prática.
As intervenções costumam ocorrer à noite, com processo criativo guiado pela intuição. Entre referências, o artista cita mosaicos antigos e o situacionismo, movimento que defendia a arte fora dos museus, presente nas ruas.
Em Lyon, exemplares do flacking já ganharam espaço em espaços criativos como a Taverne Gutenberg, onde peças da rua são transferidas para ambientes artísticos. O uso de fragmentos urbanos cria diálogo entre cidade e público.
O anonimato é parte essencial da identidade de Ememem. A obra pertence à cidade e aos passantes, e o artista se identifica como ferramenta de transformação, com raras assinaturas apenas para leitores atentos às linhas do concreto.
Para ele, o flacking representa resistência suave, poesia urbana e política contida. O objetivo é fazer com que buracos esquecidos recebam beleza e voz, valorizando a cidade como espaço coletivo.
Sobre o futuro, Ememem ressalta a aspiração por cidades onde cada rachadura seja convite à criatividade. Ele considera o flacking apenas o começo de uma visão de que a beleza é um direito público.
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