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Parque Vila Velha vira galeria de arte a céu aberto

Arte ocupa o Parque Vila Velha com obras que dialogam com o tempo geológico, abrindo espaço público a uma galeria itinerante

A obra Anathema, de Sonia Dias Souza, tem como inspiração a geologia do parque
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  • Parque Vila Velha, em Ponta Grossa, Paraná, recebe a primeira itinerância do programa MON sem Paredes, do Museu Oscar Niemeyer.
  • A mostra propõe diálogo entre tempo geológico, paisagem e criação artística, distribuída ao longo de um desenho do arquiteto Fernando Canalli.
  • Entre as obras estão Um Vento Pintado, de Gustavo Utrabo; Reconstrução, de Tom Lisboa; Olhoscópio, de Denise Milan; Maca Arenito, de Alexandre Vogler; Anathema, de Sonia Dias Souza; e peças de Kulikyrda Mehinako.
  • A curadoria optou por intervenção discreta, sem monumentos, aproximando a arte do público e evitando grandiloquência.
  • O conjunto evidencia temporalidades distintas — geológica, histórica e contemporânea — coexistindo no parque, com obras que se inserem à paisagem sem dominá-la.

O Parque Vila Velha, em Ponta Grossa (PR), recebe pela primeira vez a itinerância MON sem Paredes, do Museu Oscar Niemeyer. Obras contemporâneas ocupam a paisagem arenítica, transformando o cenário em galeria a céu aberto, com a natureza como aliada.

A curadoria buscou aproximação entre tempo geológico e criação artística. O projeto, dirigido pelo MON, nasce para levar a arte a quem não enfrenta a instituição, reduzindo entraves de acesso e promovendo diálogo com o entorno.

O traço do lugar

A intervenção respeita a geografia local: rochas monumentais surgem como esculturas naturais, enquanto o desenho do percurso, assinado pelo arquiteto Fernando Canalli, orienta a visita sem impor monumentalidade.

Entre as obras, Um Vento Pintado de Gustavo Utrabo dialoga com o poema O Vento, de Manoel de Barros, explorando o invisível que atravessa o parque por meio de vidro artesanais.

Obras em construção

Reconstrução, de Tom Lisboa, é uma escultura em processo: uma malha metálica captura poeira e partículas do vento; com o tempo, a superfície se densifica e transforma. A ideia é inverter a erosão natural pelo acúmulo gradual.

Olhoscópio, de Denise Milan, transforma o ato de observar em experiência participativa, convidando o visitante a perceber escalas temporais ao mirar a paisagem pela estrutura.

Permanências que falam

Maca Arenito, de Alexandre Vogler, mistura escultura e mobiliário: ao deitar-se, o corpo encontra suporte para contemplar as rochas, orientando o ponto de vista do observador.

Anathema, de Sonia Dias Souza, usa aço corten para refletir a relação entre geologia e memória histórica, com uma tríade elíptica que evita centro fixo.

Kulikyrda Mehinako introduz narrativas do Alto Xingu com duas esculturas: Homem-Tatu e Urubu-Rei de Duas Cabeças, reforçando o papel da arte indígena no espaço público.

Fecho do percurso

Ao final, o visitante encontra uma síntese de tempos distintos: geológico, mítico e contemporâneo convivem de forma discreta, incentivando novas formas de perceber a paisagem sem competir com ela.

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