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Lais Myrrha tensiona o modernismo em obras de grande escala

Contraplano, escultura monumental de Lais Myrrha no Inhotim, dialoga com Niemeyer e a paisagem, provocando leitura crítica sobre espaço, território e impacto

Lais Myrrha: a artista que explora (e tensiona) o modernismo em obras de escala monumental — Foto: Levi Fanan
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  • Lais Myrrha realizou a escultura monumental Contraplano, instalada no Instituto Inhotim, que dialoga com o espaço e o sentido do legado modernista.
  • A obra faz referência ao edifício projetado por Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, integrando paisagem e arquitetura.
  • Contraplano utiliza brises horizontais, linhas sinuosas e vistas para a Serra da Moeda, sugerindo leitura sobre território, impacto e mineração.
  • A criação saiu de cerca de sete anos de trabalho, após convite do idealizador do Inhotim, Bernardo Paz, e conversa com Júlia Rebouças e Paz.
  • A proposta é provocar perguntas ao público, convidando-o a habitar o espaço e refletir sobre novas formas de coexistir com os recursos da terra.

Lais Myrrha inaugura no Inhotim a escultura Contraplano, uma obra de grande escala que dialoga com o edifício desenhado por Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, Belo Horizonte. O conjunto ocupa o maior museu a céu aberto do mundo, com mais de 140 hectares e 1.800 obras.

A artista belo-horizontina constrói a peça para provocar leitura sobre espaço, território e impacto. O projeto investiga o modernismo brasileiro, com brises horizontais e vistas para a Serra da Moeda, sugerindo leitura crítica sobre acúmulo, extração e invasividade.

Contraplano nasceu após cerca de sete anos de gestação, a convite de Bernardo Paz, idealizador do Inhotim. A proposta foi discutida em encontros com Bernardo Paz e Júlia Rebouças, atual diretora artística, que incentivaram a liberdade criativa da artista.

Contexto e leitura da obra

Nascida em 1974, Myrrha valoriza referências da arte brasileira dos anos 50 e 60, como neoconcretistas, Tunga, Cildo Meireles e Waltercio Caldas. A prática enfatiza a participação do espectador e a relação corpo-obra em espaço público.

A obra também se ancora no território mineiro, com leitura do Cerrado como elemento estrutural. Espécies nativas circundam Contraplano em um processo que envolve a equipe botânica e o tempo da natureza no desenvolvimento do projeto.

Além de Contraplano, a artista trabalha com três polos do seu eixo Estudos de casos: Atlas, Zona de instabilidade e Crônicas, que questionam representações, equilíbrio e cotidiano a partir de observações de deslocamentos e de notas de imprensa.

Entre arte e arquitetura, Myrrha já criou intervenções em grandes escala, como Política de varanda, na Espanha, e O condensador de futuros, em São Paulo, referências ao Itamaraty e ao Senado. A série Estudos de casos reforça o diálogo entre espaço, poder e leitura pública.

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