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Exposição de desenhos revela aspectos íntimos de Iberê Camargo

Exposição em Porto Alegre revela 1.901 desenhos de Iberê Camargo, incluindo rascunhos íntimos, expondo o processo criativo do artista

Um dos 93 painéis com desenhos de Iberê Camargo expostos na fundação homônima em Porto Alegre
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  • Exposição “Iberê Camargo: Quem Sabe, o Tempo…” abriu recentemente em Porto Alegre, na Fundação Iberê Camargo, reunindo desenhos desde a adolescência até o fim da vida, somando 1.901 peças em 93 painéis.
  • As obras, feitas em papéis de vários formatos, jornais, guardanapos e até envelope pardo, utilizam diversas técnicas e trazem traços de caneta, lápis de cor, grafite ou carvão.
  • A curadora Carmela Gross busca mostrar um lado íntimo do artista e o processo criativo, incluindo anotações e rabiscos que precedem a obra final.
  • O conteúdo inclui temas variados, com humor, figuras humanas, animais e cenas de teor sexual, além de críticas políticas da época; há até um croqui de uma modelo vestindo traje azul com chapéu.
  • Para compor os mosaicos, as curadoras analisaram cerca de quatro mil ilustrações dos arquivos da fundação, com a mostra permanecendo no último andar até março de dois mil e vinte e sete.

A exposição Iberê Camargo: Quem Sabe, o Tempo… revela um lado íntimo do artista gaúcho ao apresentar desenhos, rabiscos e esboços produzidos ao longo de quase sete décadas. Os trabalhos ocupam o último andar da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, desde a inauguração no mês passado.

São 1.901 peças reunidas em 93 painéis que mesclam papéis de várias gramaturas, jornais, guardanapos e até um envelope pardo com exames. Os traços vão de figuras humanas a formas abstratas, passando por cenas humorísticas e desenhos de conteúdo erótico ou escatológico.

A curadoria, liderada pela artista Carmela Gross, destaca que as obras expõem a intimidade do processo artístico. Segundo Gross, o conjunto não busca contar uma narrativa única, mas oferecer uma janela para o pensamento do autor e as etapas que antecedem a pintura.

O que há nos desenhos

A maior parte dos rabiscos foi produzida com caneta esferográfica, lápis, carvão ou grafite. Entre as peças, há uma representação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre como um animal quadrúpede, com um homem gigante nas costas, além de traços humanoides, animais e cenas de humor.

A exposição também traz uma crítica ao cenário político do período, com referência a um ex-candidato à Presidência. Ao todo, os trabalhos variam em estilo e detalhamento, parecendo um fluxo de consciência de um artista inquieto com o papel e a caneta.

Organização e leitura

A curadoria reuniu cerca de 4.000 ilustrações armazenadas nos arquivos digitais da fundação para compor os mosaicos. O resultado ocupa o último andar do museu, onde os 93 painéis permanecem expostos até março de 2027.

Gross explica que a mostra não segue uma linha narrativa, mas funciona como uma coletânea fragmentada. A leitura complementar inclui o conto O Relógio, escrito por Iberê em 1959 e exposto junto aos mosaicos para contextualizar o pensamento do artista.

Durante a visita

Entre as obras, há desenhos com referências a temas sexuais e com humor provocativo. A curadora ressalta que os trabalhos não foram criados para o público, mas representam uma prática íntima de exploração de ideias.

A exposição acontece na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, e propõe uma imersão nas etapas anteriores à conclusão de uma obra. Como parte do acervo, bicicletas aparecem em desenhos que já antecedem motivos recorrentes na produção do artista.

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