- A edição da Bienal de Veneza é marcada por controvérsias em pavilhões nacionais e pela morte da curadora Koyo Kouoh, que definiu a mostra “In Minor Keys.
- A exposição reúne cerca de cento e dez artistas no Giardini Central Pavilion, Arsenale e áreas externas, explorando jardins exuberantes e terras marcadas pela devastação, a partir de leituras de realismo mágico e de resiliência.
- Temas-chave incluem jardins crioulos, espécies naturais e obras que conectam natureza, história e migrações, com trabalhos de Otobong Nkanga, Uriél Orlow, Dan Lie, Wardha Shabbir e outros.
- A mostra também enfatiza heranças e arquivismo, com foco em Issa Samb, Beverly Buchanan e Duchamp, além da seção “The Schools” que destaca espaços de apresentação independentes.
- Entre os destaques, há instalações sonoras e de memória de Pauline Oliveros, Laurie Anderson e Cauleen Smith, além de peças que dialogam passado e presente, celebrando a dança como forma de sobrevivência.
At the Venice Biennale, a major edition se destaca pela liderança ausente: a curadoria central morreu há um ano. O festival apresenta a exposição In Minor Keys, idealizada por Koyo Kouoh, com apoio de cinco assessores. A mostra segue aberta ao público até novembro.
A curadoria deixou em aberto a continuidade da visão criativa, com 110 artistas no Giardini Central Pavilion e no Arsenale, além de espaços ao ar livre. A curadoria mencionada busca evitar tanto a crítica vazia quanto a fuga de crises globais, mantendo o foco na vida contemporânea.
A programação traz obras que combinam beleza com tensões geopolíticas, explorando temas de jardins exuberantes e um planeta marcado por feridas. A apresentação ressalta a resiliência e a circulação de saberes entre margens históricas e arquivos esquecidos.
The Lush Gardens
Imagens de jardins luxuriantes, florestas e áreas verdes aparecem como um dos motores da exposição. A documentação descreve encontros de Kouoh sob árvores em espaços institucionais e privados. A ideia central é o jardim criolo como metáfora de encontro de culturas.
No Pavilhão Central, Otobong Nkanga cobre colunas com tijolos e plantas, sugerindo um espaço vivo que pode se transformar até o fim da mostra. No Arsenale, Uriel Orlow apresenta Dedication II, com raízes em texto poético e plataformas que vibram com o solo.
Entre as obras ao ar livre, Orlow identifica plantas de várias regiões, destacando origens africanas, asiáticas e sul-americanas. Repertórios vegetais aparecem como agentes ativos, não apenas cenário para a narrativa da Bienal.
Dan Lie apresenta Temple of Passages, instalação com flores perfumadas amarradas por cordas marítimas, evocando a memória de espaços industriais. Wardha Shabbir exibe A Home Is Where My Leaves Are, uma escultura em bronze que dialoga com a adaptação vegetal.
The Earth, Scarred
A mostra também traz a terra como espaço ferido. Theo Eshetu apresenta Garden of the Broken Hearted, uma oliveira em plataforma giratória, marcada pela violência, mas que sobrevive. Manuel Mathieu retrata a região de Gaza com tons marcados e contornos de litoral.
Bonnie Devine apresenta Land in War, conjunto de pinturas que mostram paisagens transformadas pela violência imperial. Dawn DeDeaux mapeia solos de diferentes partes do mundo em Dirt Bowl Table, enfatizando impactos da mudança climática.
Vera Tamari expõe sementes cerâmicas de Astomaea seselifolia, planta associada a regiões de Palestina. Zoe Leonard registra fronteiras e vigilância na região entre EUA e México, enquanto Joy Episalla revela um grande papel de papel fotossensível com paisagens desordenadas.
Lineages and Archives
A interseção de memória e arquivo guia a mostra. Issa Samb e Beverly Buchanan aparecem como referências centrais, com espaços dedicados a suas obras no Centro Pavilion. Samb é apresentado em uma leitura de La Cour, enfatizando obras que dialogam com o espaço público.
Marcel Duchamp é apresentado como referência, conectando readymade e subversão do sistema da arte. A mostra destaca a relação entre Samb, Buchanan e Duchamp, com textos que exploram fronteiras entre vanguarda e margens.
Guadalupe Rosales expõe parte de um vasto arquivo comunitário de Los Angeles, enquanto Avi Mograbi apresenta Between a River and a Sea, com direções de negócios em 1938 e Gaza em 2023, evidenciando danos geopolíticos ao longo de oito décadas. Walid Raad desafia a distinção entre arquivo real e ficcional.
We Must Never Forget to Dance
A voz sonora acompanha a experiência expositiva. Obras sonoras de Pauline Oliveros e Laurie Anderson convidam o público a ouvir com fones e mergulhar na narrativa. Cauleen Smith oferece The Wanda Coleman Songbook, celebrando a cena de Los Angeles.
No espaço de entrada do Pavilhão Central, dois trajes de miçanga de Big Chief Demond Melancon celebram a tradição de mascaradas negras de Nova Orleans. A curadoria cita Baldwin ao discutir resistência, dança e memória como motores de sobrevivência coletiva.
O conjunto da exposição sugere que a celebração é parte essencial da resistência, oferecendo momentos de pausa para continuar o esforço artístico e social no dia seguinte. A curadoria mantém o foco no que é essencial para o entendimento global da mostra.
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