- A exposição Venice Biennale 2026, intitulada “In Minor Keys”, foca perseverança e jogo como respostas a tempos difíceis, buscando construir futuros a partir do presente.
- No Arsenale, há um poema de Refaat Alareer, escrito antes de ele ser morto na Gaza em 2023, que dialogue com os temas de resistência e esperança.
- Os trabalhos de Guadalupe Maravilla, especialmente as novas versões de Disease Thrower, incorporam a figura do menor com a boina azul associada a Liam Conejo-Ramos, capturando questões de migração, doença e políticas de imigração.
- A mostra também explora a natureza como capacidade de perseverar, com obras de Alexa Kumiko Hatanaka, Carolina Caycedo, Wardha Shabbir, Michael Joo e Vera Tamari, entre outras, evidenciando “ervas daninhas” e tradições de semeadura.
- Curadoria e legado: a diretora exótica, Koyo Kouoh, faleceu antes de terminar a bienal; a equipe conduziu o projeto, enfatizando construção de instituições e redes de artistas, como Denniston Hill e Nairobi Contemporary Art Institute. Além disso, Duchamp (Boîte-en-valise) e a prática de Walid Raad aparecem como curiosidades que conectam adaptação e resiliência.
A segunda edição do Venice Biennale, em 2026, apresenta a mostra “In Minor Keys” como uma afirmação ampla sobre perseverança e criação lúdica em tempos sombrios. O Arsenale recebe um poema de Refaat Alareer na parede de abertura, escrito antes de sua morte em Gaza, em 2023, que ressalta a urgência de contar histórias e manter a esperança.
A curadoria assinada por Koyo Kouoh orienta a exposição, que articula resistência, transformação e construção de mundos. Obras de artistas como Guadalupe Maravilla lidam diretamente com temas de doença, migração e cura, associando o endurecimento da realidade a estratégias de sobrevivência. A mostra trafega entre o luto e a possibilidade, buscando oferecer descanso espiritual.
Guadalupe Maravilla apresenta novas versões de Disease Thrower, com referências ao período atual de crises, incluindo símbolos usados pela infância de uma vítima de detenção. Já Alexa Kumiko Hatanaka utiliza linogravuras para explorar imagens de mudança climática e a relação entre transtorno bipolar e adaptação frente a épocas de gelo.
Na seção dedicada à natureza, o Arsenale expõe obras de Carolina Caycedo, Wardha Shabbir, Michael Joo e Vera Tamari, que discutem plantas invasoras, memória de sementes e formas fossilizadas. As peças enfatizam a ideia de resiliência de espécies que se adaptam para sobreviver, um tema que conversa com a civilização humana.
Duchamp e a ideia de mobilidade criativa aparecem em dois sentidos: o Boîte-en-valise, que reúne obras em miniatura, e a reflexão sobre a capacidade de adaptação em períodos de crise. Walid Raad traça paralelos entre surgimento de armas entre militias e a reapropriação de arte como ferramenta de resiliência.
Protagonismo e legado
A obra de Raad sugere que criatividade e adaptação caminham juntas, destacando situações históricas em que recursos improvisados sustentam a cultura. A curadoria, trabalhada por Kouoh e sua equipe, mantém o foco em institucionalismo colaborativo com grupos artísticos independentes.
Kouoh faleceu antes da conclusão da mostra, e a montagem seguiu com a equipe que ela formou. Artistas e coletivos que acompanharam o projeto deram continuidade, mantendo a linha de construção coletiva e foco social da exposição.
A curadoria pretende que a mostra vá além da apreciação estética, estimulando diálogo entre arte e vida social. A curadoria enfatiza produção de sentido, memória e imaginação como componentes centrais da experiência expositiva.
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