- Sandra Gamarra Heshiki apresenta Réplica, no Masp, combinando pintura e ficção para debater a história da arte e o papel dos museus.
- Ao longo de dez dias, a artista acompanhou a montagem de sua retrospectiva e produziu uma reinterpretação de Paisagem com tamanduá, de Frans Post, com uma urna marajoara exposta no interior da obra.
- A intervenção insere o espaço museológico no centro da paisagem colonial, questionando modos de representação e sugerindo que a história pode ser apenas a versão mais iluminada de uma vitrine.
- O curador Guilherme Giufrida afirma que a mostra abre diálogo com o modelo de museus enciclopédicos e provoca reflexão sobre a matriz colonial e as formas de classificação.
- A programação do Masp de 2026 foca histórias latino-americanas; a artista vê a descolonização como um ato de alerta e de conscientização para mudanças.
À mostra Réplica, Sandra Gamarra Heshiki contextualiza a história da arte por meio da repetição crítica de imagens. Em cartaz no MASP, a exposição envolve pintura e ficção para problematizar o papel dos museus na construção da memória.
A artista peruana produziu parte do trabalho durante a montagem de sua retrospectiva, ocupando a reserva técnica do museu. A intervenção central reapresenta Paisagem com tamanduá, de Frans Post, com a imagem invadida por um espaço expositivo do MASP visto por meio de um rasgo no painel.
Ao rasgar a tela, surgiu uma urna cerâmica marajoara presente no acervo, evidenciando povos cujas representações costumam ficar à margem. A obra questiona a relação entre o espaço museológico e as narrativas históricas dominantes.
Concepção da exposição e diálogo institucional
O curador Guilherme Giufrida afirma que Réplica dialoga com a lógica cronológica de museus enciclopédicos, ainda que o MASP exponha de modo desorganizado o tempo. A mostra enfatiza a crítica à matriz colonial e às formas de classificação presentes na instituição.
Para a artista, levar a instalação a um museu de destaque na América Latina funciona como uma infiltração que pode tensionar a memória e as noções de fixidez. Ela descreve o projeto como um alerta para práticas historiográficas que estruturam hierarquias.
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