- Fernanda Povoa, brasileira, atua em Berlim com o Povoa Lab, estúdio que une arte, tecnologia e experimentação com resina.
- O trabalho prioriza materialidade, usando diferentes tipos de resina e métodos que seriam difíceis em outros formatos, buscando transformar códigos digitais em objetos físicos.
- As peças são esculturas e luminárias produzidas com impressão 3D em resina, acabamento em camadas e sistemas de encaixe sem o uso de cola, permitindo expansão orgânica.
- As luminárias aparecem a partir de esculturas, com a luz destacando texturas, camadas e transparências, sem foco na eficiência luminosa, mas na interação entre luz e forma.
- Vasos e adornos surgem da relação de Fernanda com as orquídeas; o vaso funcional é o de orquídea, enquanto outros itens funcionam como elementos decorativos ou de base para as peças.
Fernanda Povoa, brasileira radicada em Berlim, desenvolve vasos e esculturas luminosas em resina no Povoa Lab, um laboratório criativo que combina arte, tecnologia e experimentação sensorial. A proposta é transformar códigos e estruturas digitais em objetos que ocupem o espaço real.
O trabalho confronta o virtual com a materialidade. Fernanda afirma que só realiza o que seria difícil ou impossível em outros métodos, mantendo a resina como base de suas peças. O objetivo é levar o metaverso para a realidade palpável.
Nascida em Araguari, MG, ela hoje vive na Alemanha, onde produz as peças e conduz o laboratório. A formação inclui Arquitetura e Urbanismo em Brasília e Engenharia Mecânica no interior de Minas, com mestrado em Turim.
A técnica envolve programação e expressões matemáticas para criar esculturas, mantendo a engenharia como alicerce. Fernanda complementa a prática com pesquisas que unem tecnologia e expressão artística.
Processo produtivo
As peças são criadas com impressão 3D em resina e acabamento manual em várias camadas, gerando brilho intenso. O uso de resina permite texturas translúcidas que interagem com a luz de formas distintas.
A novidade está no sistema de encaixes sem cola. Componentes independentes se conectam por peso e equilíbrio, permitindo que as obras cresçam de modo orgânico sem comprometer a transparência.
O material líquido é tóxico durante a fase de preparo, exigindo respiradores e filtragem no ateliê. Após a cura, a resina fica sólida e segura para compor esculturas únicas, que unem forma e função.
Esculturas luminosas
As luminárias emergem de esculturas, não foram criadas inicialmente para iluminação. A luz revela camadas, texturas e volumes, sem priorizar eficiência luminosa, mas a interação entre luz e forma.
As peças são compostas por módulos que se autossustentam, usando a gravidade como “cola” entre elementos. O resultado são esculturas que parecem crescer de forma orgânica.
Apesar da aparência translúcida, a resina foi escolhida pela viabilidade prática, já que o vidro apresentaria desafios de transporte. A autora ressalta que o vidro seria esteticamente interessante, mas menos viável.
Vasos e adornos
A conexão com plantas ocorreu de forma natural, com foco nas orquídeas. O vaso pensado para essa planta prioriza ventilação das raízes e uso de substratos leves.
Inicialmente, Fernanda buscou vasos fechados com o mesmo material, mas constatou porosidade que provocava vazamento de água. A solução foi criar uma peça específica para cultivo de orquídeas.
Com esse uso utilitário, os demais objetos permanecem no campo escultórico e decorativo, servindo como adornos para vasos de vidro, bases luminosas e composições que destacam transparência, textura e estrutura.
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