- Em São Paulo, o Festival Poesia no Centro realiza sua segunda edição, com dia dedicado a debates sobre corpo, memória e linguagem na poesia, no Teatro Cultura Artística.
- A tarde abriu com apresentação baseada em Neca: Romance em bajubá, obra de Amara Moira, resultado de uma residência artística no Sesc 24 de Maio, com direção de Ave Terrena e Leonarda Glück.
- A peça acompanha a travesti Simona revisitando memórias de prostituição no Brasil e na Europa, em diálogo com o cânone literário através do bajubá (linguagem usada pela comunidade trans).
- Em seguida, a mesa Um Modo de Escavar reuniu Guilherme Gontijo Flores e Tatiana Faia, com mediação de Dirceu Villa, para discutir como o clássico influencia a poesia contemporânea e a tradução como ação do presente.
- No evento central, Raúl Zurita conversou com Francesca Cricelli e Joca Reiners Terron, destacou a relação entre linguagem, violência política e memória, e leu trechos de seus livros. A programação segue no domingo, com presença de outros autores e a experiência do Megafone com leituras ao ar livre, antes da itinerância para Brasília.
A segunda edição do Festival Poesia no Centro aconteceu neste sábado (16) em São Paulo, no Teatro Cultura Artística, no centro da cidade. O evento, promovido pela Megafauna, reuniu convidados nacionais e internacionais para debater corpo, memória e linguagem na literatura contemporânea. A programação incluiu apresentação baseada na obra Neca, de Amara Moira, com residência artística prévia no Sesc 24 de Maio.
A encenação de Neca foi resultado de oito dias de trabalho com elenco voluntário, adaptando a obra ao espaço teatral. A direção e a dramaturgia são de Ave Terrena e Leonarda Glück, com Nina Moira como referência para a linguagem bajubá. O enredo acompanha Simona, travesti que revisita memórias de prostituição no Brasil e na Europa ao reencontrar um antigo amor.
A partir da tarde, a programação contou ainda com a mesa Um Modo de Escavar, reunindo Guilherme Gontijo Flores e Tatiana Faia, com mediação de Dirceu Villa. O debate tratou da relação entre repertório clássico e linguagem contemporânea, destacando a tradução como prática do presente.
Inspirações e traduções
Tatiana Faia ressaltou que o interesse pelo clássico parte de um desejo de regressão histórica e de subversão do cânone. Já Guilherme Gontijo Flores defendeu a tradução como operação atemporal, afirmando que traduzir acontece no agora para olhar o passado com novas perspectivas.
Raúl Zurita e a via poética da resistência
Em seguida, o poeta chileno Raúl Zurita participou de conversa com Francesca Cricelli, tradutora de sua obra para o português, e com o escritor Joca Reiners Terron. Zurita, vítima de prisão e tortura durante o regime de Pinochet, explicou que sua escrita busca recuperar significados sequestrados pela ditadura.
Ao falar sobre Purgatorio (1979), Zurita destacou a relação entre memória, linguagem e violência, mencionando também a ligação de sua obra com a paisagem chilena. O poeta leu trechos de títulos como La Vida Nueva, Anteparaiso e Canto a Su Amor Desaparecido, mantendo o tom documental de sua experiência.
Panorama do festival e próximos dias
A edição do festival visa ampliar o debate sobre poesia contemporânea e ocupar espaços culturais da região central de São Paulo. As atividades começaram na primeira quinzena de maio, com oficinas, leituras e apresentações no Museu da Língua Portuguesa e na Biblioteca Mário de Andrade.
Neste domingo (17), a programação segue no Cultura Artística com autores convidados, entre eles Eileen Myles, Mar Becker, Cida Pedrosa e Ricardo Domeneck. O megafone ao ar livre mantém espaço para performances e leituras de convidados especiais.
Viagem prevista
Após passar por São Paulo, o festival deve seguir para Brasília, com encontro na Livraria Platô, reunindo parte dos convidados do Palco para encontros na capital federal. A itinerância amplia o alcance das obras debatidas e facilita o acesso do público a diferentes formatos de leitura e performance.
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