- A mostra “Piruetas de Olhos Abertos” de Janaína Tschäpe está em cartaz na galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, em São Paulo, sendo sua primeira individual na cidade desde 2019.
- O conjunto reúne pinturas panorâmicas em óleo sobre linho e uma sequência de aquarelas produzidas entre Nova York e Bocaina, Minas Gerais, explorando a relação entre natureza e abstração.
- A artista conecta memória de infância em Bocaina com a experiência em Nova York, buscando registrar na tela a percepção do momento sem racionalizar excessivamente.
- O óleo, prática recente dela, permite reentrar na obra, corrigir e sobrepor pinceladas conforme o ritmo do momento, diferente da aquarela ou de outras mídias.
- O trabalho privilegia o equilíbrio entre emoção e contenção, com as obras em movimento e a tela em branco do ateliê ainda aguardando o próximo momento de pintura.
Janaína Tschäpe inaugura em São Paulo a mostra Piruetas de Olhos Abertos, com pinturas panorâmicas em óleo e bastão sobre linho ao lado de aquarelas criadas entre Nova York e Bocaina. A exposição fica na galeria Fortes D’Aloia & Gabriel e marca a primeira individual da artista na cidade desde 2019.
A mostra reúne dois polos estéticos distintos: grandes trabalhos em óleo para dentro, e uma sequência de aquarelas que dialogam entre si. A pesquisa de Tschäpe busca transformar a natureza em abstração, movendo-se entre físico e perceptivo.
Parte da potência da presença de Janaína vem do ateliê no Brooklyn, onde a tela em branco simboliza a alegria do momento de começar a pintar. Em contraste, o refúgio mineiro influencia a memória e a percepção, conectando passado e presente da prática.
Sobre a mostra
Os trabalhos ocupam o espaço do galpão na Barra Funda com obras de grandes formatos, acompanhadas de aquarelas feitas entre Minas Gerais e Nova York. A artista explica que o óleo adiciona tempo ao processo criativo, permitindo reentradas e ajustes após a aplicação da tinta.
Método e intenção
A ideia central é traduzir sensações da natureza sem reproduzir a paisagem de forma literal. O movimento e o tempo são elementos-chave, com a pintura buscando ser um acontecimento moldado pela memória. A artista descreve a prática como uma espécie de giro da percepção, que não se repete.
A narrativa visual enfatiza a experiência física do olhar, evitando uma imagem resolvida. Cada tela propõe entrar e atravessar o campo cromático, com o espectador sendo compreendido como parte do movimento. A relação entre o imediato e o elaborado permanece central na pesquisa.
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