- François Audouze possui cerca de 40 mil garrafas, entre as mais cobiçadas do mundo, e prefere compartilhá-las a protegê-las; para ele, o vinho é feito para ser bebido.
- Ele afirma não se importar com o valor financeiro da cave e diz ter as garrafas mais antigas, sem ter comprado Bordeaux após 2003.
- A autenticidade das raridades vem da avaliação da garrafa (rótulo, cápsula, nível); às vezes ele arrisca, como ocorreu com uma Romanée-Conti de 1945, onde o vinho “renasceu” após repousar.
- A abertura dos vinhos velhos segue a técnica de oxigenação lenta: quatro horas antes de servir, sem decantar nem provar antes.
- Entre os desejados, ele cita o millésime 1811 d’Yquem e o Porto Nacional de 1931; para ele, a emoção da degustação é o que torna o vinho precioso, não o preço.
François Audouze é industrial francês e colecionador de vinhos raros, com foco em safras antigas. Segundo ele, a cave pessoal abriga cerca de 40.000 garrafas, entre as mais cobiçadas do mundo, mas o objetivo é compartilhar o que possui, não apenas guardar.
Audouze afirma que não mede valor financeiro da coleção. Disse não possuir a cave mais cara, mas sim possuidora de vinhos extremamente antigos. Ele não comprou rótulos de Bordeaux após 2003 e privilegia a longevidade das safras.
A paixão pelos vinhos velhos vai além do luxo: para ele, o vinho antigo tem uma ressonância muito maior que o novo. Em exemplos lembrados, destaca a diferença entre um Latour 2009 e o 1929, que pode render melhor em décadas.
Autenticidade e decisões de compra
A validação das garrafas não depende de histórias, mas da análise física da embalagem. Etiqueta envelhecida, cápsula conservada e o nível da bebida são critérios centrais. Mesmo assim, ele admite assumir riscos em negociações.
Em uma ocasião, ouviu falar de uma Romanee-Conti de 1945. O preço era alto, mas o nível da garrafa parecia baixo. A negociação levou à degustação conjunta, revelando um vinho que ressuscitou após descansar, comprovando que o risco pode valer a pena.
Métodos de abertura e degustação
A técnica de oxigenação lenta é a prática escolhida: abrindo quatro horas antes da prova, com retirada gradual do bouchon e pausa de várias horas. Não há decantação nem taça para o primeiro gole; a troca gradual com o ar é quem favorece a prova.
Audouze já vivenciou momentos marcantes ao provar vinhos raros. Em uma refeição, degustou 1900 do Château d’Yquem, descrevendo sensação de frisson. Em outra visita, experimentou um Chassagne-M Montrachet de 1865 e sentiu a percepção de “Graal”.
Vinhos que o impressionaram e desejos futuros
Entre as experiências, destaca Hermitage La Chapelle 1961 como exemplar de perfeição. Também recorda encontros com Yquem de 1811 e um Porto Quinta do Noval Nacional 1931, que ainda não conseguiu obter.
Para ele, o valor do vinho está na emoção da degustação e no prazer de saboreá-lo, não apenas no preço. Em conversas, costuma enfatizar a humildade diante da bebida como chave da apreciação.
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