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Baravelli na USP pinta corpos que se desfazem e ergue formas impossíveis

Exposição na USP mostra Baravelli rompendo limites da pintura com nus femininos em encáustica, mesclando arquitetura, natureza e memória do artista

Obra de Luiz Paulo Baravelli da série 'Caras', em cartaz no Centro Maria Antonia da USP
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  • Luiz Paulo Baravelli, de 83 anos, apresenta a exposição Rever Baravelli no Centro Maria Antonia, USP, explorando pinturas, relevos e esculturas que misturam técnicas e espaços.
  • A mostra reúne seriados como Caras, com nus femininos que parecem se dissolver, além de maquetes e obras que quebram a linearidade da pintura tradicional.
  • A curadora Maria Alice Milliet destaca a multiplicidade do artista, que mescla referências da história da arte, cinema e propaganda, mantendo uma assinatura própria.
  • Entre as peças, destacam-se Passagem, com portal de hastes metálicas, e Limbo, um quadrado dividido que expõe riscos pintados que parecem rachaduras.
  • Baravelli, que morou no entorno de São Paulo, voltou a trabalhar formatos menores, chamados de pinturas-gato, e afirma que é preciso reduzir a velocidade para apreciar as obras.

Luiz Paulo Baravelli, aos 83 anos, ganha exposição no Centro Maria Antonia da USP. A mostra Rever Baravelli reúne trabalhos que vão além das telas tradicionais, com obras que desconstroem a geometria da pintura. O conjunto também traz nus femininos que parecem se dissolver.

A curadoria, liderada por Maria Alice Milliet, enfatiza a multiplicidade do artista e a relação com o público. Baravelli, que integrou a Escola Brasil, é conhecido por misturar técnicas e espaços, dialogando com gerações mais novas.

A mostra atua em várias frentes: pinturas, relevos abstratos e esculturas que utilizam materiais diversos. Em salas distintas, maquetes arquitetônicas e dispositivos que avançam sobre a percepção do visitante aparecem.

Entre as obras, a sala dedicada à encáustica destaca as peças produzidas a partir de 1984, quando o artista abandona tinta comum para usar cera derretida. Os nus frontais aparecem com expressões melancólicas.

Outra linha da exposição pesa sobre a expansão da moldura: telas deformadas, colunas planas e arcos que criam profundidade. O conjunto busca questionar o que resta da pintura tradicional diante da experimentação.

Os trabalhos mais recentes mantêm o foco na aproximação do público, com peças que exigem que o espectador se aproxime. A ideia é que a contemplação seja lenta e participativa, sem imposições visuais.

Baravelli também apresenta paisagens e silhuetas que se confundem com cenários urbanos, além de composições com figuras sobre posicões de leitura. A curadoria aponta que a produção atual dialoga com elementos de pop e HQs.

Para o artista, o ritmo da obra demanda tempo de observação. Ele descreve o processo como um jogo de escolhas, onde o resultado surge da interação entre técnica, história da arte e experimentação.

A mostra está em cartaz no Centro Maria Antonia da USP e reúne trabalhos que refletem a trajetória do artista desde a década de 1970 e sua busca por formas novas de expressão.

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