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A maior tendência artística do século 21 não é estilo e aparece em tudo

A arte do século XXI revela sistemas invisíveis; artistas expõem redes de poder, logística e dados que moldam a vida cotidiana

A painting shows dozens of small robots carrying out tasks, like arranging rectangular blue solar panels or moving paintings of robots. It appears to create one totalizing system, but it's not clear how thevarious parts relate.
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  • O movimento conhecido como “systems art” ganhou relevância ao longo das décadas, conectando arte a sistemas invisíveis como protocolos sociais, tecnologia e economia global.
  • Hans Haacke e Adrian Piper são apontados como pontes entre o passado e o presente da prática, expandindo o conceito de arte que mapeia e questiona sistemas sociais, políticos e econômicos.
  • Artistas contemporâneos exploram grandes infraestruturas — desde cadeias de suprimentos e governos até tecnologia de vigilância — para tornar visíveis esses sistemas e incentivar resistência.
  • Projetos como Trevor Paglen e Edward Burtynsky evidenciam redes de vigilância e logística global, enquanto Olafur Eliasson e Refik Anadol levantam debates sobre scale, estética e impacto energético.
  • A escalada de técnicas e a crítica social continuam a moldar a leitura da arte como forma de intervenção pública, com exemplos que vão de obras de campo a investigações sobre consumo, trabalho e meio ambiente.

O sistema domina a leitura do mundo na arte contemporânea. O conceito de “systems art” atravessa décadas, da era Cold War aos dias atuais, expandindo-se para além de estilo para tornar visíveis estruturas invisíveis, como racismo, sexismo e cadeias de suprimento.

Originalmente cunhado por Jack Burnham em 1968, o termo conectou artistas que organizavam o processo criativo por regras, séries e repetições. Ao deslocar o foco do eu para o contexto, a arte passou a expor protocolos da sociedade.

Histórico da ideia

Hans Haacke e Adrian Piper foram elos entre passado e presente. Piper criou séries geométricas em 1968; Haacke tornou públicos sistemas sociais, como em Shapolsky et al., expondo a imobiliária de um board do Guggenheim. A obra sinalizou o peso político da prática.

Ao longo das décadas, a ideia ganhou novas leituras. Film biólogas de dados, infraestrutura de governos e finanças globais entraram no campo artístico, com obras que vão do atmosférico ao social, sempre buscando tornar compreensíveis estruturas complexas.

Desdobramentos contemporâneos

Nos anos 2000, o foco deslocou-se para projetos que funcionam como exposés do funcionamento institucional. Trevor Paglen, por exemplo, documenta a vigilância governamental com imagens de bases e satélites; Edward Burtynsky revela a magnitude das cadeias de produção.

Críticos ressaltam que nem todo grande formato funciona bem. Alguns artistas exageram na visualização, tornando o invisível excessivamente estético, como apontado por analistas que destacam o equilíbrio entre forma e significado.

Abordagens de escala

Diversos artistas chegam a microescala para evidenciar sistemas. Cameron Rowland e Jumana Manna preservam objetos simples para revelar mecanismos de poder, como o uso de madeira de laborforçado ou infraestruturas agrícolas. A escala funciona como lente para o social.

Outros, como Ayoung Kim, apresentam narrativas sobre trabalhadores de entrega, mostrando como apps moldam o comportamento humano. Redução de escala aproxima o público de questões de emprego, tecnologia e economia.

Linhagens e ações recentes

Alguns artistas traçam uma linha direta entre passado e presente. Rutherford Chang coleciona unidades do White Album para mostrar circulação de valor; Alan Ruiz investiga a relação entre minimalismo e trabalho social, em suítes expandidas.

Na mesma linha, obras que criticam privatizações, como intervenções de David L. Johnson e Michael Wang, evidenciam como espaços públicos são moldados por regras privadas, com impactos ambientais e sociais reais.

Perspectivas e riscos

A prática pode ampliar a compreensão de sistemas, mas também corre o risco de priorizar escala e técnica sobre o significado humano. Críticos sugerem que a arte precisa questionar a lógica dos dados sem perder a empatia.

A ideia central é transformar o invisível em perceptível, estimulando reflexão sobre tecnologia, política e economia. Assim, a arte funciona como ferramenta para entender e, se possível, influenciar sistemas complexos.

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