- O exquisite corpse é um jogo surrealista em que várias pessoas desenham partes do corpo em folhas dobradas, sem ver o que veio antes, para depois as imagens se conectarem.
- O nome veio de um jogo de escrita realizado em Paris, em 1925, que acabou virando desenho quando Breton, Duchamp e outros adaptaram a ideia.
- O objetivo era acessar o automatismo e a parte da mente não governada pela lógica, gerando figuras inusitadas quando conectadas.
- Além de gerar imagens estranhas, os desenhos servem como registro de redes de colaboração entre artistas, incluindo mulheres surrealistas.
- Nesta edição, a Bienal de Veneza recebe a apresentação de Denniston Hill com colaboração de cento e cinquenta ex-alunos, mostrando a continuidade do jogo entre artistas contemporâneos.
O Exquisite Corpse, ou cadavre exquis, é um jogo coletivo criado pelos surrealistas para acessar o automatismo e estimular a colaboração criativa. Nele, artistas desenham-seções de um corpo humano em papel dobrado, sem ver o que veio antes. As linhas guiam a continuidade do traço seguinte, conectando partes distintas em uma figura única.
O objetivo era libertar a imaginação e fugir da lógica consciente. Ao une provocarções visuais, surgem figuras estranhas e humoradas. Ao desdobrar o papel, aparecem transições improváveis entre estilos e mãos de diferentes artistas.
O movimento surrealista difundiu esse tipo de prática, que associava desenho, acaso e cooperação. A técnica também serve como registro de redes de colaboração entre artistas, incluindo diversas mulheres dentro do grupo.
Histórico e conceito
A ideia veio de um jogo de escrita semelhante, criado para distorcer a conversa e promover a aventura. Em 1925, o grupo adaptou para desenhos, dando origem ao Exquisite Corpse. O lançamento ocorreu em um encontro na casa de Marcel Duhamel, em Paris.
Ao longo das várias décadas, os resultados combinaram elementos inusitados como objetos do cotidiano e imagens improváveis. A prática estimulou encontros entre técnicas distintas, ampliando a visão sobre o que é possível na criação coletiva.
Simone Kahn, integrante próxima de Breton, descreveu a experiência como nascimento de criaturas imprevisíveis surgidas da fusão de mentes. Para Breton, o jogo representou uma liberação criativa sem limites.
Legado e exemplos
As obras resultantes hoje ocupam museus ao redor do mundo. Além da experimentação, os cadavres exquis também funcionam como testemunhos de redes de colaboração entre artistas. Muitas vezes, incluem artistas femininas cujas contribuições ganharam reconhecimento tardio.
Nos anos 60, o grupo Hairy Who, de Chicago, praticou o Exquisite Corpse, com desenhos que integram coleções públicas. O artista Ted Joans realizou a montagem de um projeto que durou décadas, reunindo 132 colaboradores em uma obra chamada Long Distance.
Na cena contemporânea, instituições culturais retomam a prática para celebrar encontros casuais entre artistas. Em 2010, a Armitage Foundation convidou mais de 200 criadores para produções colaborativas. Diversos nomes de destaque participaram.
Atual na prática institucional
Nesta edição, artistas vinculados a residências estão contribuindo com versões do Exquisite Corpse durante eventos em grandes palcos. Em mostras simultâneas, o formato é usado para explorar a diversidade de estilos e práticas, mantendo o espírito de acaso e cooperação.
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