- Uma nova tríannial ocorre em Medina, vila rural de oeste de Nova York, explorando o tema “All That Sustains Us” e o que significa fazer arte em uma era de queda de conforto material.
- A mostra aborda cadeias de suprimentos, alimentação e ecossistemas, com obras que discutem de onde vêm roupas, alimentos e energia, conectando arte a sistemas vitais.
- Mierle Laderman Ukeles, a artista mais velha em vida ainda em atividade, aparece no site principal com um vídeo baseado em seu Manifesto para a Manutenção da Arte, 1969, celebrando o cuidado e o sustento.
- As ações vão de objetos materiais a intervenções ambientais: roupas reutilizadas, canções sobre agricultura, energia derivada da seiva de bordo e práticas de autossuficiência, tudo em espaços como escola, igreja, estação de trem e teatro.
- O canal Erie Canal é central na exposição, com obras que redirecionam seu fluxo e destacam a história da região, enquanto a curadoria busca mostrar recursos locais como forma de resiliência e reflexão sobre economia e trabalho.
A nova edição da mostra trienal All That Sustains Us chega a Medina, vila rural de Western New York, para explorar o que significa fazer arte em uma era de queda de conforto material para a maioria, menos para os mais ricos. A exposição, inaugurada recentemente, reúne artistas em espaços que vão de uma antiga escola a uma igreja, uma estação de trem e museu ferroviário, conectando o urbano ao regional.
Quem participa inclui nomes como Mierle Laderman Ukeles, a mais antiga artista ainda em atividade, cuja peça em vídeo reabre o portão para o tema central: a manutenção. A obra utiliza textos do Manifesto for Maintenance Art, de 1969, para situar o trabalho como cuidado constante que sustenta a sociedade, desde o consumo até o saneamento.
Os artistas exploram a origem de objetos e serviços no dia a dia, questionando cadeias produtivas. Victoria-Idongesit Udondian transforma roupas de trabalho de imigrantes em escultura, exibindo jaquetas que parecem vivas para enfatizar trabalho global e neocolonialismo. Deirdre O’Mahony grava relatos de fazendeiros irlandeses com visão poética sobre o impacto do capital.
A produção de energia aparece na prática de Michael Wang, que colaborou com suaguás de maple em Medina para criar a bebida Sugar Bush Energy. A proposta aponta para soluções locais com impacto social e ambiental, conectando economia regional e história local, como a relação entre produção de açúcar e escravidão.
Aprofundando a proposta
Além de enfrentar temas de cadeia de suprimentos e energia, a mostra inclui obras que abordam luto e cuidado. Taysir Batniji registra objetos de uso cotidiano destruídos em Gaza, abrindo espaço para a memória. Intervenções de biologia, como a instalação de Aki Inomata com madeira de castores, propõem diálogo entre espécies para refletir sobre cooperação em tempos de crise.
A curadoria situa Medina como espaço de circulação de obras entre pontos de referência locais, como o Erie Canal, que é destacado na mostra. As obras discutem a relação entre infraestrutura histórica e vulnerabilidade contemporânea, sem buscar soluções única de curto prazo.
A exposição é apresentada em apoio a revitalização do canal, com financiadores como a New York Foundation of the Arts, a New York Power Authority e a New York State Canal Corporation. A equipe editorial observa que o formato de cidade pequena facilita contato próximo entre público e artistas, além de oferecer experiência de visitação acessível.
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