- Beth Goulart encena “Simplesmente Eu, [Clarice Lispector]” em cartaz no Teatro Moise Safra, Barra Funda, até 26 de julho, explorando a voz e o corpo da escritora.
- Amir Haddad supervisionou a cena, ajudando a atriz a buscar o olho no olho com a plateia e manter os pés no chão.
- O elenco de alter egos — Joana, Ana, Lóri e Mulher Sem Nome — dialoga com a biografia de Clarice, investigando o amor em diversas nuances, entre o cotidiano e o sagrado.
- A cenografia é minimalista (divã, cadeira, escrivaninha com máquina de escrever) e ganha dimensão com projeções, luz e trilha sonora que moldam o tempo entre o real e o ficcional.
- Em entrevistas, Beth descreve o desafio de transformar a matéria abstrata de Clarice em ação cênica, mantendo a dramaturgia fragmentada que une a autora às criaturas criadas.
Em Simplesmente Eu, Clarice Lispector, Beth Goulart encarna a autora e suas criaturas, buscando o corpo como extensão do pensamento. A montagem está em cartaz no Teatro Moise Safra, na Barra Funda, até 26 de julho. Amir Haddad supervisiona a cena, incentivando o contato olho a olho com o público.
A proposta do espetáculo não busca biografia, mas a invenção de Clarice no espaço cênico. Goulart transforma a reclusão literária em presença física, revelando o peso do pensamento sobre o corpo. O resultado é uma atuação que dialoga com o público sem seguir a figura da autora.
A encenação utiliza uma galeria de alter egos que exploram o amor em suas várias tonalidades, da intimidade ao sagrado. Personagens como Joana, Ana, Lóri e a Mulher Sem Nome emergem a partir da matriz literária de Clarice, com foco na relação entre criação e solidão.
A construção cênica privilegia simplicidade: um divã, uma cadeira e uma escrivaninha com máquina de escrever. Cenografia de Ronald Teixeira e Leobruno Gama, projeções de Fabian e iluminação de Maneco Quinderé ajudam a situar a narrativa entre o real e o ficcional.
O trabalho sonoro assinado por Alfredo Sertã completa a atmosfera, marcando silêncios que sustentam a centralidade da palavra. Guaraci Ribeiro assina a direção de cena, guiando transições que enfatizam o processo de atuação mais do que o resultado final.
Equipe e proposta de montagem
Beth Goulart descreve o projeto como autoral e pessoal, resultado de amadurecimento artístico. Haddad atua como âncora teatral, mantendo o ritmo da apresentação e estimulando a plateia a acompanhar o jogo entre silêncio e expressão.
A atriz mantém marcas vocais de Clarice — dicção, respiração, cigarro — apenas como ponto de partida. Na passagem para as personagens, a voz se transforma, mantendo a coerência da arquitetura cênica.
A cenografia reduz o mundo a poucos elementos, mas a iluminação e as projeções moldam o tempo. Os recursos técnicos trabalham em conjunto para evidenciar a comunicação direta entre atriz e público.
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