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Mulher enterrada resiste ao colapso em montagem de Dias Felizes

Atriz enterra Winnie na encenação de Dias Felizes, destacando resistência humana diante do colapso e cenário inspirado em Atafona engolida pelo mar

Patrícia Selonk interpreta Winnie em 'Dias Felizes'
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  • De 25 de junho a 19 de julho, no Sesc Pompeia, em São Paulo, com sessões às quintas, sextas, sábados e domingos conforme o cronograma.
  • Winnie, interpretada por Patrícia Selonk, fica enterrada até a cintura no primeiro ato e até o pescoço no segundo, em cenário inspirado no distrito de Atafona, no Rio de Janeiro, engolido pelo mar.
  • Willie, o interlocutor silencioso, é apresentado por elenco que alterna as interpretações de Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes, este último responsável pela tradução.
  • A montagem usa materiais de outras produções da Armazém Companhia de Teatro, sem patrocínio, e incorpora trechos de Drummond, Cecília Meireles e Augusto dos Anjos.
  • A peça discute resistência humana diante de catástrofes, mantendo a leitura de Beckett para os dias atuais; já passou por Porto Alegre em Cena, Festival de Curitiba e Shangai, chegando ao Rio para estrear no Sesc Pompeia.

A Armazém Companhia de Teatro apresenta Dias Felizes, montagem de Samuel Beckett transposta para o mundo contemporâneo. Winnie vive enterrada na primeira cena, até a cintura, sob um sol intenso, enquanto o sino marca o tempo. No segundo ato, enterrada até o pescoço, a luz reduz e a solidão aumenta, mas a personagem insiste em seguir.

Patrícia Selonk interpreta Winnie e conduz a encenação com sua visão de resistência diante do colapso. Willie, o interlocutor silencioso, é interpretado por atores convidados em dias alternados, mantendo o vínculo entre voz e silêncio na dramaturgia.

A montagem nasce da sugestão de Selonk durante a pandemia, quando artistas precisaram buscar formas de sobrevivência criativa. A peça estreou de fato em maio do ano passado no Rio de Janeiro, após passagem por festivais nacionais.

O cenário foi assinado pelo diretor Paulo de Moraes, inspirado no distrito de Atafona, no Rio de Janeiro, engolido pelo mar. A proposta junta elementos orgânicos e inorgânicos para retratar um mundo que perdeu estruturas de sentido moral, político e religioso.

Dias Felizes fica em cartaz no Sesc Pompeia, em São Paulo, de 25 de junho a 19 de julho. Sessões vão de quinta a domingo, com horários distribuídos ao longo do período.

No palco, Winnie revela uma bolsa com objetos do cotidiano — escova de dentes, batom, espelho — que servem de base para memórias enquanto a personagem resiste ao caos. Willie representa a poucos passos do entendimento, o ouvido que pode ou não ouvir.

A encenação utiliza recursos de iluminação, telões e cenografia para acompanhar a evolução emocional da protagonista. A obra dialoga com o momento atual, onde a persistência humana se mantém mesmo diante da adversidade.

Ao longo da temporada, a peça já circulou por Porto Alegre em Cena e pelo Festival de Curitiba, ampliando o alcance internacional com apresentações em Shanghai. A direção manteve a intenção de não oferecer respostas fáceis ao público.

A tradução do texto foi realizada por Jopa Moraes, que adaptou trechos da literatura brasileira para aproximar Beckett da vivência contemporânea. A montagem também mescla versos de autores nacionais para ampliar o intercâmbio cultural.

A dupla de Willie alterna em elenco, com performances de Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes, que dirige a tradução e a leitura da peça. A proposta não busca atualizar Beckett, mas evidenciar a persistência humana.

Detalhes da temporada: Dias Felizes tem classificação indicativa de 14 anos e preço de entrada de R$ 70, com meia-entrada e desconto para credenciais do Sesc. Espera-se lotação durante as funções.

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