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Exposição une linguagens artísticas e idiomas

Exposição no MAC-USP reúne treze obras de Nelson Felix que unem línguas aramaico e aimara, transformando a linguagem em experiência artística

Andar de baixo do mezanino do MAC com esculturas de Nelson Felix / Foto: Cecília Bastos
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  • Exposição Beijo de Língua, de Nelson Felix, fica no mezanino do Museu de Arte Contemporânea da USP até 29 de novembro, reunindo 13 obras.
  • O conjunto mistura linguagens textuais e visuais, com obras gráficas, peças escultóricas e uso de fotografias, grafite e madeira.
  • Um eixo recorrente são as palavras Aramea (aemara) e aramaico, criadas a partir de uma descoberta durante viagem a Lima; esse motes guia boa parte da mostra, inclusive em Jano (2023-2024).
  • A tartaruga aparece como motivo central em várias peças, ligada à história de Hermes e à invenção da cítara; outras obras trazem cruzes, rosas, cactos e mapas.
  • No piso inferior, esculturas em grande escala incorporam letras de mármore em aramaico e aymara, com trechos de textos que sugerem uma união entre línguas.

A exposição Beijo de Língua, de Nelson Felix, está em cartaz no mezanino do Museu de Arte Contemporânea da USP até 29 de novembro. A mostra reúne 13 obras que mesclam linguagens textuais, visuais e escultóricas, conectando idiomas como aramaico e aymara a imagens. O conjunto convida o público a decifrar, sentir e interpretar as peças.

A curadoria devolve ao visitante a ideia de linguagem como criação pessoal. Felix, hoje com 72 anos, defende que cada artista tem uma voz própria para se comunicar. A proposta da exposição é manter uma “mensagem” que não seja prontamente decifrável, preservando um caráter poético.

Sobre a exposição e as obras

No mezanino, o first floor apresenta gravuras com elementos escultóricos, misturando fotografias, bastões de óleo e grafite em quadros de madeira sob vidro. Em Jano (2023-2024), aparecem duas versões da própria imagem do artista, em preto e branco, entrelaçadas para formar uma só cena.

A estampa de Aramea e Aemara surge em várias peças, com setas que apontam direções opostas. O episódio remonta a uma viagem do artista a Lima, em 1978, quando alguém associou os termos, destacando o simbolismo de uma linguagem que não se pretende apenas decodificada.

Os símbolos e as referências

A exposição utiliza símbolos como tartarugas, cactos, cruzes e rosas, presentes em pinturas, desenhos e esculturas. Em Tartaruga de Homero (2024), a tartaruga aparece como motivo recorrente, acompanhado por textos gravados em cobre e suportes de metal.

Outra peça-chave é Desenhos de pensamento (2020-2026), com mais de 60 desenhos em uma fileira. O artista descreve o processo como pensamento gráfico, ressaltando que o desenho funciona como uma expressão de idioma próprio.

A segunda face na galeria

No andar abaixo, as obras ganham escala: esculturas que ocupam o espaço e letras de mármore, escritos em aramaico e aymara, compõem trechos dos textos que inspiram a mostra. Em alguns trabalhos, letras de línguas distintas são coladas juntas para simbolizar união entre povos.

Felix ainda comenta que, em vez de cola, costuma evitar o método tradicional de fixação no mármore, mas opta pela junção quando a ideia exige a percepção de um “beijo” entre as línguas. A exposição, portanto, permanece como uma investigação sobre linguagem, memória e ruído poético.

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