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Maquiadoras de comidas: profissionais que embelezam pratos que desejamos comer

Profissionais da produção culinária moldam a imagem de pratos, superando desafios técnicos, improvisos e a influência da IA

FR12 SAO PAULO - SP - 17/06/2026 - PALADAR - MAQUIADORA DE COMIDA - Foto da food Stylist, Tatu Damberg. FOTO: Felipe Rau/Estadão. Foto: Felipe Rau/Estadão
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  • Profissionais de food styling preparam e maquillam alimentos para fotos, embalagens e campanhas, buscando apresentar a comida de forma atraente e coerente com a marca.
  • Destaques: Tatu Damberg, com mais de vinte anos na área, une gastronomia e psicologia; Juliano Albano, autor de livro sobre o tema e fundador de técnicas de montagem de alimentos para foto.
  • Os trabalhos enfrentam desafios técnicos: espaço limitado, necessidade de manter o produto impecável na imagem e situações como produção com itens destruídos ou câmaras frias improvisadas.
  • A maleta de produção reúne itens como pinças, cotonetes, maçarico, sangue de cozinha, cola para dentaduras (Corega) e ferramentas para dar forma e fixação aos alimentos.
  • Com a ascensão de inteligência artificial, o grupo observa uma divisão de demandas entre perfeição quase impossível e realismo, valorizando itens que pareçam verdadeiros na prática.

O que acontece com a produção de imagens de comida vai além da culinária. Profissionais de food styling trabalham para deixar ingredientes visualmente atraentes em fotos, embalagens, outdoors e vídeos. O objetivo é combinar técnica, pesquisa e percepção de marcas do setor.

A atuação envolve planejamento cuidadoso, pesquisa de público e coordenação com fotógrafos, modelos e equipes. O resultado esperado é apresentar a comida com apelo estético, sem distorcer a realidade do sabor.

A história dos profissionais revela que a maquiagem de alimentos exige precisão técnica. O trabalho é comparado ao de um beauty stylist, mas aplicado a itens comestíveis para publicidade, cards e campanhas.

Quem são os protagonistas

Tatu Damberg acumula mais de 20 anos na área, atuando entre estúdios e cozinhas. Autora de livros e uma das pioneiras da blogosfera gastronômica, Damberg alia psicologia e gastronomia para entender o comportamento do público.

Juliano Albano atua desde 2012, com formação em artes visuais e gastronomia. Em 2024 publicou o livro Food Styling, com orientações práticas para foto e vídeo, em parceria com o marido fotógrafo.

Celisa Beraldo destaca o lado técnico do ofício, com foco em embalagens e espaços limitados. O trabalho exige foco no produto e poucos adereços para manter a integridade visual da comida.

Desafios do dia a dia

Profissionais relatam rotinas desafiadoras como lidar com produtos que chegam danificados ou precisar criar itens fake na hora. Ajustes de iluminação, temperatura e composição são comuns para manter o apelo visual sem perder realismo.

Casos de improviso fazem parte do cotidiano. Em dias quentes, por exemplo, soluções criativas são utilizadas para manter a consistência de sorvetes, chocolate e outras delícias na foto.

Acomodações técnicas incluem recursos como dopagem de elementos, uso de ferramentas de dentista para fixar peças ou soluções simples para manter o enquadramento estável durante movimentos na bancada.

IA, realismo e mercado

Com a ascensão da IA, há pressão entre clientes por perfeição virtual ou imagens que pareçam reais. O consenso é buscar equilíbrio entre realismo e qualidade estética, evitando exageros que distorçam o alimento.

Profissionais destacam a importância de manter a autenticidade, mesmo diante de tecnologias emergentes. A preferência é por imagens que transmitam sabor e naturalidade, sem parecer artificiais.

Como entrar na profissão

O caminho é principalmente prático: cursos e mentorias são comuns, com estudo contínuo sobre técnicas de iluminação, materiais de apoio e referências. Muitos aprendem na prática, com participação em produções reais.

Alguns profissionais desenvolveram conteúdos educacionais, como cursos online, para disseminar o ofício e orientar novos artistas da área. A bibliografia de referência citada é amplamente disseminada entre interessados.

A rotina exige curiosidade, organização e capacidade de adaptar-se a diferentes briefs. Cada dia traz uma nova produção, com desafios que vão desde o planejamento até a montagem final do prato na imagem.

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