- O brasileiro Rodrigo Torres estreia exposição individual na galeria Rhinoceros, em Roma, intitulada “Água Mole em Pedra Dura”, em parceria com a galeria brasileira A Gentil Carioca, em cartaz até 13 de agosto.
- A mostra reúne esculturas em cerâmica com técnica trompe-l’oeil que imita papelão, papel rasgado e pedra, além de desenhos e pinturas em papel inéditos.
- Torres search inspira-se em monumentos de Roma e na natureza da Tijuca, no Rio de Janeiro, mesclando referências locais a novas obras de cerâmica, desenho e pintura.
- O projeto faz parte da parceria entre a Rhinoceros Gallery e A Gentil Carioca para expor artistas estrangeiros após residências rápidas em Roma; Miguel Afa foi o primeiro brasileiro a participar, em 2023.
- O artista comenta que a experiência em Roma gerou obras especiais, desenhadas e produzidas para a cidade, com influências de mármores, tufos e da própria atmosfera romana.
A Rhinoceros Gallery, em Roma, recebe a primeira exposição individual do artista brasileiro Rodrigo Torres na Itália. Intitulada Água Mole em Pedra Dura, a mostra fica em cartaz até 13 de agosto, fruto de uma parceria com a galeria brasileira A Gentil Carioca.
A mostra reúne esculturas em cerâmica com a técnica trompe-l’oeil, que simula papel rasgado, papelão e pedra. As obras exploram a ilusão de materiais, incorporando referências a Roma e à cidade do Rio de Janeiro, Tijuca, na origem do artista.
Entre as peças, há esculturas cerâmicas, além de desenhos e pinturas em papel que nunca haviam sido exibidos publicamente. Márcio Botner, sócio da Gentil Carioca, destaca a sensação de colagem que não é colada, criando uma leitura de superfície enganosa.
Convergências com a natureza
Na Tijuca, a história natural inspira rupturas e erosões; em Roma, o foco é o reparo de rachaduras e a estabilização de superfícies para evitar o colapso, gerando uma ideia de possível ruptura nas obras.
A peça Por um Fio de Água surge da relação constante da cidade com a água, com uma fonte em cerâmica montada sobre pedras. A obra imita tubos de papelão pintados e amarrados por barbantes, sugerindo erosão e apoio estrutural.
Márcio Botner aponta que Roma amplia o contato do artista com novos materiais e com a história local. O barro utilizado tem tonalidade próxima ao tufo, pedra vulcânica típica da região, abrindo caminho para experimentações de cerâmica diferentes do Brasil.
Projeto e parceria entre galerias
O projeto envolve exposições de artistas estrangeiros que residem temporariamente em Roma. A Gentil Carioca começou a colaborar com Rhinoceros em março, após trazer Miguel Afa para uma mostra individual na galeria romana.
O objetivo é permitir que artistas desenvolvam trabalhos inéditos na cidade, aproveitando referências locais. Rodrigo Torres passou quase três meses em Roma, gerando obras feitas especialmente para a ocasião.
A Rhinoceros Gallery ressalta que o artista imprime na obra a memória da cidade. Alessia Caruso Fendi, fundadora da galeria, vê o projeto como parte importante do dinamismo do espaço artístico entre Roma e o Brasil.
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